Para quem vê de fora, até parece fácil. Os melhores animais, além de jóqueis vestidos com fardas das mais variadas cores, disputam galão a galão cada páreo realizado nos finais de semana no prado carioca. Entretanto, para que esta carreira aconteça, é preciso uma grande engrenagem funcionando da melhor forma possível, sem emperrar. Todas as peças, que funcionam na Comissão de Corridas do Jockey Club Brasileiro, mais precisamente, na secretaria da CC, devem estar tinindo e no último furo para nada da errado. E, uma dessas peças fundamentais, se chama Luciano Maciel, mais de duas décadas de dedicação e foco no Jockey Club Brasileiro. Este é mais um personagem do Jockey que tem a vida entrelaçada ao funcionamento desta mais do que nobre instituição.
Luciano, 55 anos, 21 deles dedicados ao Jockey Club Brasileiro, é daquelas pessoas que por onde passa, deixa amizades. Tanto por sua competência no que se refere ao profissional, quanto na personalidade agradável e despojada. E por conta é mais ou menos nestes trâmites que a sua história por aqui começou.
– Trabalhei durante 13 anos na Frota Oceânica Brasileira e lá conheci o colega chamado Aloísio. Nesta época, ele se transferiu para o Jockey e eu fui para uma outra empresa. Assim que ele chegou aqui, surgiu uma vaga para o controle financeiro de corridas, que funcionava na sede do Centro. Assim que ele me chamou, eu fui. Era meu amigo e aceitei a oportunidade de trabalhar no Jockey – afirmou.
Responsável por matricular, cadastrar e escolher as fardas, entre outras coisas, Luciano é conhecido por sua organização e foco no trabalho. Ou seja, a partir das 8hs, concentração total para que tudo ocorra perfeitamente. O jeito muito sério do expediente só muda mesmo quando se junta ao seu grande amigo Dilson, também da secretaria, para acompanhar as corridas, ou quando fala dos seus filhos e da felicidade que o Jockey pôde proporcioná-los.
Confira aqui a entrevista completa:
INÍCIO NO JOCKEY CLUB BRASILEIRO
“Trabalhei durante 13 anos na Frota Oceânica Brasileira e lá conheci o Aloísio. Nesta época, ele se
transferiu para o Jockey e eu fui para uma outra empresa. Assim que ele chegou aqui, surgiu uma vaga para o controle financeiro de corridas, que funcionava na sede do Centro. Isto na época da gestão do presidente Fragoso Pires. Eu saí de onde eu estava e vim para cá. Nesta função eu fiquei durante cinco anos, antes de eu vir em definitivo para a sede da Gávea”.
NOVAS FUNÇÕES NA GÁVEA
“O que acontecia: a parte de controle financeiro era no Centro e aqui na Gávea era a parte de cadastro renovação, além de outras coisas. Na época iria ter um recadastramento de proprietários e eu já trabalhava no controle financeiro. Acabaram me chamando para desempenhar esta função e me transferiram para cá. Eu já entendia um pouco. A gerência iria unificar o cadastro e o controle financeiro. Uma pessoa cotada para isso foi eu, por já conhecer o sistema. Me atribuíram outras coisas que eu ainda não fazia. Em 2000 eu passei a englobar outras funções e estou aqui até hoje. Parte de renovação, cadastro de proprietários, profissionais…o cadastro em geral do proprietário era lá, mas não fazíamos a matrícula. Quando vim para cá englobei tudo (risos). Graças a Deus eu fui fazendo as coisas bem, direito, acabei pegando essas funções e desempenhando com muitos elogios”.
“O principal: cadastro da matrícula dos proprietários, do Brasil inteiro. Não somente os do Rio, mas os que vem de fora, sou eu quem tem a função de cadastrá-los. Profissionais, qualquer um deles, tudo passa por mim. Sempre seguindo o Código Nacional de Corridas. Escolher a farda…sempre de acordo com as resoluções. Se pode ou não pode”.
TRABALHO NO JOCKEY NO DIA A DIA
“Sou muito dedicado ao meu trabalho, chego, me concentro, vejo o que está faltando…isso é meu mesmo, da minha personalidade. Sou muito organizado e assim eu vou trabalhando no dia a dia. Eu sou muito feliz trabalhando aqui, meu ambiente de trabalho é o melhor possível, desde a gerência até aqui embaixo com os meus companheiros sou muito satisfeito e feliz. Uma coisa determinante para mim e principal: para você fazer bem o que faz, tem que gostar de fazer. E eu gosto muito do que faço e trabalho ao lado das pessoas que me fazem bem, isso não tem preço que pague”.
AMIZADES QUE CONQUISTOU (DILSON)
“O Dilson eu vou dizer um negócio: eu tenho irmão e irmãs, mas uma pessoa que considero demais é
esse cara. Nos conhecemos na festa de final de ano da empresa. Eu tinha acabado de chegar aqui na Gávea e era época de final de ano. Já tinha visto o Dilson aqui na secretaria, mas a gente foi se conhecer mesmo na festa, já que eu não tive muito contato com as pessoas no início. Foi uma amizade que aconteceu na hora, ele é meu irmão. Frequento a casa dele, ele vai na minha também. Conheço toda família dele, foi uma amizade muito bacana que levo para o resto da vida. Estamos sempre em contato, desde aquele dia, foi amizade verdadeira mesmo”.
LEMBRANÇAS MARCANTES DO JOCKEY
As festas daqui foram marcantes, muitas comemorações com os amigos e companheiros de trabalho. Nestas festas costumavam sortear brindes. E uma coisa engraçada é que eu sempre ganhava, todos os anos eu era sorteado. As pessoas brincavam comigo por conta da sorte que eu tinha. E teve um ano que a moda era ter um videocassete, estava em alta nesta época. Minha filha era pequena e falou para mim: “Pai, eu queria tanto um videocassete”. Eu respondi que não podia, né? A grana era curta. Poxa, quando eu cheguei na festa, parecia que alguém estava me escutando. Fui sorteado e ganhei um videocassete. Minha felicidade foi tão grande pensando nela, que eu levei no mesmo dia, peguei uma carona não sei com quem e levei. Quando cheguei em casa eu falei: “Papai ganhou um presente”. Minha felicidade foi indescritível, eu não tinha o dinheiro para comprar, a minha filha queria muito e acabei ganhando no sorteio no meio de centenas de funcionários. Foi uma coisa divina mesmo”.
FAZER PARTE DO JOCKEY CLUB BRASILEIRO
Para mim, esse tempo…são muitas amizades, são 21 anos…é muita coisa (se emociona). Vi muita gente ir embora, chegar também. Na realidade, aqui no Jockey eu sou muito privilegiado, todos gostam de mim. Para mim é um grande prazer trabalhar aqui, as pessoas são maravilhosas, E uma coisa mais importante e que é determinante para este sentimento: gostar do que você faz! Eu faço as coisas aqui com muito gosto.
Por Emerson Silva e Sylvio Rondinelli Fotos: Sylvio Rondinelli

