O público turfista que acompanha as carreiras do Hipódromo da Gávea pelas arquibancadas conhecem e se mostram fãs não somente dos animais e pilotos que participam das corridas, mas também dos locutores que geram ainda mais emoção para estas disputas semanais no prado carioca. Neste hall de grandes narradores que já passaram pela Gávea, podemos citar Ernani Pires Ferreira, Oscar Vareda, Luiz Carlos e, atualmente, Thiago Guedes e Fernando Cury. Todos esses excelentes profissionais têm algo incomum: os cinco tiveram a oportunidade de trabalhar com Luiz Cláudio Santos da Fonseca, mais conhecido como Claudinho, operador de áudio da Gávea. Ou seja, pouca gente sabe que o responsável por levar a voz dos narradores aos amigos turfistas no prado carioca é este profissional de 54 anos, 31 deles de dedicação ao Jockey Club Brasileiro.
– Trabalhei com o Ernani, com o Vareda e com o Luiz Carlos. Tive o prazer de trabalhar com esses três monstros. Guardo muitas lembranças deles. E hoje tenho um grande prazer de trabalhar com a nova geração. Fernando Cury e Thiago Guedes, com vozes encantadoras e que estão aí para inovar. É muito gratificante trabalhar com eles – afirmou.
Morador de São Gonçalo, Claudinho é mais um personagem do Jockey a ter a sua história contada pelo site do JCB. Casado e pai de dois filhos, o operador sabe das dificuldades de se conseguir vencer na vida. Por isso, passou pelos mais variados setores dentro do Jockey Club Brasileiro, sempre aproveitando as oportunidades e, o mais importante, estando preparado para aproveitá-las:
– Nunca me acomodei. Sempre fui me especializando, fazendo cursos para poder desempenhar bem o meu trabalho e fazer coisas novas. Pagava os meus cursos com dificuldades, mas quando as oportunidades surgiam, eu estava lá pronto para aproveitar e entrar de cabeça no projeto.
Confira a entrevista completa:
INÍCIO NO JOCKEY
Entrei no ano de 1985 como faxineiro. Era da turma da faxina, galera boa que guardo comigo até hoje. Depois passei para a pista de grama. Cuidava dela e trabalhava ao lado do Seu Maurício, que foi contratado junto ao Golfe Gávea na época. Um tempo se passou e fui para área de refrigeração, após fazer um curso da área. Trabalhei ainda na repesagem um período, mas logo fui para telefonia. Esta foi a minha trajetória até fazer o que eu faço hoje em dia.
CHEGADA NO ÁUDIO DA GÁVEA
Fiquei um tempo na telefonia, gostava de lá, mas surgiu uma oportunidade no áudio. Também fiz um curso para poder pegar a vaga, foi difícil.Pagava os meus cursos com dificuldades, mas quando as oportunidades surgiam, eu estava lá pronto para aproveitar, entrava de cabeça no projeto. E aqui no áudio eu me identifiquei, gostei muito de trabalhar. Estou há 20 anos no setor.
TRABALHO NO DIA A DIA
A minha função aqui no áudio é fazer funcionar o som de todo hipódromo, colocar o narrador para falar.
A Comissão de Corridas fica interligada comigo e passa todas as informações. Sempre que chega informação da parte veterinária, da CC, vou direcionando para os narradores divulgarem no hipódromo. Reclamação, autorização para a largada, fechamento de jogo, tudo passa pela minha mão, sempre com a chancela da Comissão de Corridas. A sirene também é comigo, aperto um botão verde para acioná-la. Tudo chega para mim, para que a informação seja dada de forma clara e objetiva ao público.
NARRADORES COM QUEM TRABALHOU
Trabalhei com o Ernani, Vareda e Luiz Carlos. Tive o prazer de trabalhar com esses três monstros. Foram sempre muito corretos comigo e sempre admirei o trabalho de todos eles. Guardo muitas lembranças. Hoje eu tenho um grande prazer de trabalhar com a nova geração. Thiago Guedes e Fernando Cury são vozes encantadoras e estão aí para inovar o turfe. São dois monstros da nova geração e posso dizer que é uma maravilha trabalhar com essas duas excelentes pessoas.
Tivemos algumas histórias juntos, engraçadas. O Ernani, certa vez, gravava um quadro no Globo Esporte (TV Globo). Vasco e Flamengo disputariam uma decisão naquela semana e o Zico e o Roberto Dinamite vieram aqui no Jockey para participar deste quadro. Ele acabou me chamando para fazer uma participação jogando ele na lata do lixo (risos). Foi muito engraçado, ele era uma figura. Antes mesmo de eu vir para o Jockey eu já gostava do Ernani e logo depois, coincidentemente, vim trabalhar ao lado dele. Tenho muitas saudades. O Vareda era engraçado também. Sempre que ele chegava, chamava todos que trabalhavam com ele, sentava e começava a cantar. Cauby Peixoto e Altemar Dutra estavam em seu repertório. Nunca esquecia do seu café. Costumava narrar os primeiros páreos e chegava mais cedo para poder fazer s duas coisas, cantar para nós e narrar as primeiras carreiras.
AJUDA DE LUIZ CARLOS
O Luiz tinha um temperamento muito doce, mas era um monstro no que fazia. Guardo muita gratidão por ele, pois me ensinou muita coisa e sempre esteve ali para me ajudar. Uma das pessoas que mais contribuíram para eu chegar até aqui no Jockey foi este cara. Se hoje estou aqui eu agradeço muito a ele.
TRABALHAR NO JOCKEY
Gosto muito de trabalhar aqui e do que eu faço. Me sinto muito útil. É um trabalho que não se pode errar, temos de estar sempre concentrados, com a cabeça boa para auxiliar os narradores e a todos que precisam saber dessas informações. Não tenho do que reclamar, o clima é bom, os meus companheiros…trabalho com vontade dia após dia. Não tem ninguém de nariz em pé, são todos iguais e todos se tratam como iguais. Penso em me aposentar um dia, mas sem precisar sair daqui.
Por Emerson Silva e Sylvio Rondinelli Fotos: Sylvio Rondinelli

