É comum quando, ao nos defrontarmos com situações novas, termos a impressão de que estivemos em situação semelhante ou mesmo igual. É comum e normal. Há até quem estude esse tipo de fenômeno, à procura de explicações. Esse tipo de acontecimento, para nós simples mortais, vão para o esquecimento, mas em certas ocasiões vale a pena parar e pensar um pouco a respeito.
Lembro-me bem, era um lindo sábado, em 1968. Por volta das 11 horas da manhã, estava um grupo de turfistas conversando perto do Hospital Veterinário do Jockey Club de São Paulo. Do grupo fazia parte o Dr. Tabareli, um professor de veterinária, que havia sido contratado pelo JCSP para cobrir as férias do titular do Posto de Campinas, o Dr. Reiner. Para mim era um momento especial, pois no dia seguinte eu participaria do Grande Premio São Paulo com o meu potro Moustache, que quer dizer bigode. Em meio à conversa, o Dr. Tabareli disse que ele, que nada entendia de corridas de cavalos, havia sonhado que, ao ser dada a partida do Grande Premio, um cavalo preto se atrasara para o último lugar, e aos poucos foi melhorando. Ele corria pelo meio da pista, e as pontas do seu longo bigode raspavam as duas cercas, a interna e a externa, e com isso, avançando sempre, ia derrubando os seus competidores com o bigode, e acabara vencendo o páreo. Eu, como todos os outros, ri muito, era claro que o Dr. Tabareli estava mexendo comigo, com o meu Moustache. Aí o professor se surpreendeu, ele nem sabia que havia um cavalo inscrito no Grande Premio São Paulo com o nome de Moustache. O assunto ficou ali mesmo encerrado. Eu peguei meu carro, junto com meu dedicado e bom treinador José Silvestre de Souza, o Zé Pinto, e fomos para o outro lado da rua, para comprar qualquer coisa que estava faltando na cocheira. No primeiro cruzamento, um carro avançou o sinal e bateu com o pára-choque dianteiro no meu traseiro. O meu carro balançou com o forte impacto, mas foi só, nada aconteceu a não ser um risco no meu pára-choque. O outro carro fugiu. O meu treinador me disse para eu não me preocupar, coisas diferentes e inusitadas eram comuns antes de momentos importantes. No dia seguinte, ao chegar ao terraço da Tribuna Social, o ótimo veterinário e professor Carlos Eduardo Salles Gomes me deu um abraço, me cumprimentando antecipadamente pela próxima vitória de Moustache, que ganharia montado por Antonio Bolino, em 2º chegaria El Centauro com Albenzio Barroso, em 3º Osman com Dendico Garcia, em 4º Sabinus com Antonio Ricardo e em 5º Junior com Gastão Massoli. E se isso se concretizasse, ele esperava que eu lhe desse de presente uma garrafa de whisky. Na segunda-feira, no dia seguinte, entreguei ao bom Salles Gomes a tal garrafa. O meu treinador, humilde, modesto e competente, então me disse que tinha que acontecer, dois sonhos bem claros e nítidos e ainda o absurdo de um pequeno acidente de carro que poderia ter tido graves conseqüências eram indícios mais do que claros que havia uma corrente no ar, e eu tive que admitir que os deuses do turfe estavam preparando a vitória do Moustache.
É claro que essas impressões tinham que ser fortes, positivas ou negativas, mas que deveriam ter alguma significação.
Essas lembranças me vieram à mente no domingo dia 17 de abril de 2016. Havia uma preocupação geral, do Brasil inteiro, para o resultado da votação em Brasília, quando cerca de 515 deputados iriam ou não decidir sobre a carreira política da então Presidente Dilma. Era o ponto de partida para a continuação de uma administração falida ou um principio de uma grande guinada no sentido de novos horizontes para o nosso país. Mas antes, do inicio da votação, isto é, antes das 17 horas, um fato violentou com brutalidade o turfe brasileiro. Ás 13:30 horas daquela tarde, o turfe brasileiro perdia talvez o maior de seus expoentes técnicos, o hipólogo Marcos Araújo Ribas de Faria. A brutal noticia abalou a todos que tiveram o privilégio de conhecê-lo, e de conviver com o seu enorme talento, na arte musical, na teatral, na cinematográfica, no jornalismo, no turfe, na cultura de um modo geral. Foi uma sensação geral de frustração, de desanimo, de perda. Mas havia ainda a votação em Brasília, com a ameaça de Lula, Dilma e seus seguidores a seguir destruindo as perspectivas de um futuro grandioso. O que se viu foi um desfilar de gente despreparada tentando obstacular aqueles que, conscientes, votavam a favor de um Brasil melhor. Ao final da histórica votação, ficou uma interrogação, no sentido de como os representantes dos perdedores tinham conseguido dominar o país, prevalecendo-se sobre o lúcido grupo que veio a vencer a votação. A esmagadora vitória nos faz pensar.
A grandeza dos dois grandes acontecimentos do dia 17 de abril me fez lembrar daqueles não semelhantes mas para mim tão importantes. Será que os deuses do turfe estão preparando importantes novidades? Será que coisas muito importantes e sérias estão para acontecer? Os pessimistas devem estar achando que agora tudo vai para o lixo. Mas eu sou otimista, interpreto as coisas pelo lado bom, pelo melhor, eu não sonho com derrotas, mas com vitórias. Estou achando que muita coisa boa está para chegar. O turfe brasileiro vai sentir um ambiente de grandes melhorias. Estou achando que os bons momentos estão para chegar, aqueles momentos pelos quais estamos aguardando há tanto tempo.
