A última quinta-feira (29) foi histórica para o Hipódromo do Cristal, em Porto Alegre (RS). Ao vencer o Grande Prêmio Derby Riograndense, o alazão Nargis se tornou o 16º animal tríplice coroado do turfe gaúcho e entrou de vez na galeria dos grandes animais do Esporte dos Reis. A última vez que este fato ocorreu foi em 2010 com Force To Force.
Nargis, que nesta saga até o degrau mais alto do turfe gaúcho teve a condução de Marco Boeira e o preparo de Hermínio Machado, cruzou o espelho com o tempo 2:42, para os 2.400 metros. O macho alazão é de criação do Haras Santa Ignes do Spagnier, filho de Union Avenue e Yá Me Voy (Exile King) e defende as cores da proprietária Camilla de Oliveira Pires.
E passada a euforia da conquista, a hora é de colocar a cabeça no lugar e traçar novos planos. Por conta disso, o site do JCB foi atrás das informações sobre este grande animal com o seu proprietário, João Pires. Ele falou sobre a história do bicho e de como de apaixonou no primeiro momento em que viu o cavalo. Além disso, João fez questão de revelar o próximo passo de Nargis:
– Estou com as tratativas avançadas com o Ad. Menegolo e o destino do Nargis é o Rio de Janeiro. Sei que no Rio tem muitos animais de destaque, mas acredito no potencial do Nargis. Ele vai correr na Gávea.
Veja o bate papo completo entre João Pires e o site do JCB:
JCB: Como que surgiu essa sua relação com o Nargis?
João Pires: O Nargis é um presente de Deus. Certa vez, correu um páreo importante aqui no Rio Grande do Sul. No dia seguinte, estávamos com amigos em uma cocheira, fazendo um churrasco. Me ligaram de São Paulo me oferecendo um potro. Ele chegou a participar de um leilão e não foi comprado. Muitas pessoas olharam para ele e não gostaram, pois ele tinha uma das patinhas meio aberta. No mesmo dia, perto de meia noite, me ligaram de novo pedindo para que eu visse o potro, pois ele estava em uma cocheira. Fui até ele e quando eu vi o Nargis pela primeira vez, eu não pensei duas vezes, fiquei com ele.
JCB: Quando você percebeu que ele era um craque e levava futuro na raia?
João Pires: Levamos ele para a doma, passou por este período e começamos o treinamento. Um certo dia, estávamos eu, um amigo e o Pedro Oliveira na raia. Levamos três relógios. Ele passou nos 1.400, apertei e disse que fiz errado. Meu amigo tb. Depois, o Pedro Oliveira veio com o mesmo tempo que tínhamos marcado. Ou seja, ele fez um tempo brilhante e achamos que estávamos errado, mas não. Ali eu vi o talento dele.
JCB: Uma vitória como essa, manifesta o desejo de muitos amantes de turfe. Você já recebeu proposta pelo Nargis?
João Pires: Tive propostas demais, muito boas. Mas não vendi. Foram proposta em vários momentos, antes até do que a tríplice-coroa. Minhas filhas Isabela Pires e Camila Pires viram ele bebê, viram ele bem pequeno e aí a coisa complicou. A família meio que manda nessa parte (risos). Aí ficamos com ele.
JCB: Depois dessa brilhante vitória na tríplice-coroa gaúcha, qual será o próximo passo para o Nargis?
João Pires: Vou me reunir com Hermínio Machado, esse sabe tudo de cavalo. Eu já tenho mais ou menos na cabeça o que fazer, acho que vamos tentar o GP Bento Gonçalves. Mas já estou em tratativas com o treinador Ad. Menegolo. Estarei no Rio de Janeiro na semana do Grande Prêmio Brasil para conversar pessoalmente com ele. O destino dele é a Gávea, é o Rio de Janeiro.
JCB: Em relação aos trabalhos, a aclimatação e aos adversários mais fortes. O que você pode dizer sobre as expectativas para a atuação de Nargis na Gávea?
João Pires: Aclimatação boa, trabalhos bons. Ele é um animal sadio, nunca teve nada, dispensa comentários. Sei que o Menegolo é um ótimo profissional e estamos conversando para que isso seja tranquilo. Sobre os cavalos do Rio, eu acompanho bastante, são grande animais, mas acredito muito no Nargis, ele é muito bom na areia e tem tudo pra correr muito, mas muito mesmo na grama. Como falei antes, o destino dele é a Gávea e seja o que Deus quiser.
Por Emerson Silva e Sylvio Rondinelli Foto: Jefferson Bernardes/Agência Preview
