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Exemplo de superação: Lu Andrade volta aos treinamentos após cinco meses parada

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O caminho foi longo, árduo e a espera foi grande. Mas não fugiu muito do que ela passou para chegar a ser joqueta e medir forças com os principais jóqueis do Brasil e talvez do mundo. Lu Andrade voltou aos trabalhos matinais após quase cinco meses de recuperação de uma grave contusão na coluna. A jovem de 25 anos, natural de Carazinho (RS), se machucou depois de cair de sua montaria e ser atropelada (clique aqui e veja) pelos demais animais que participavam do páreo. Passado o momento de tensão e dor, a joqueta quer agora esquecer de tudo e focar em sua carreira. Mesmo liberada pelos médicos, Lu Andrade ainda não se sente em plenas condições de assumir montarias para correr. Segundo ela, é preciso ter paciência. 

– Eu ainda não tenho previsão para montar.  O doutor me liberou para trabalhar e montar, mas eu ainda não me sinto bem, não estou 100%. Fiquei quase cinco meses parada, sem poder fazer qualquer tipo de exercício, com uma vida sedentária. Estou com muitas dificuldades para voltar. Ainda sinto alguns incômodos, o que me deixam um pouco com medo. Tenho que ter um pouco de paciência para não colocar tudo a perder – disse ao site JCB.

 A joqueta já está há duas semanas participando normalmente dos matinais, trabalhando os animais de alguns treinadores. Apesar de estar se apresentando para estes trabalhos, Lu Andrade sabe que enfrentará muitas dificuldades para ganhar boas montarias. Para ela, será como se estivesse começando do zero em todos os sentidos. Entre outras palavras, será um verdadeiro recomeço. 

– Antes de eu me machucar, eu estava muito desanimada. Não estava indo bem e já estava juntando dinheiro para ir para fora. Mas agora que eu fiquei longe, vi que o que eu gosto de fazer é montar, nasci para isso. Comecei a pensar no que eu estava errando e o que eu posso mudar para reverter essa situação. Passei a refletir e ter uma esperança. Este será um recomeço da minha carreira – revelou. 

Confira outros trechos da entrevista com Lu Andrade:

 Tempo parada 

Senti muita falta e agora está suprindo um pouco, já que eu estou  trabalhando e sentindo o bicho, correndo e praticando. Acho que estou matando as saudades nestes trabalhos. Mas quero sanar essa saudade em uma corrida, fico ansiosa. Por mim, assinaria montaria já neste final de semana. Mas nesta fase final não posso me precipitar.  

 Detalhes da contusão 

Dia 24 de novembro do ano passado, no primeiro páreo da reunião. Perdi o controle do cavalo e acabei caindo. Os que vinham atrás passaram por cima de mim. Tive cinco traumas na coluna e uma fratura. Tive de usar um colar cervical e ficar de repouso absoluto. Fiquei este tempo todo de repouso. Tenho dor muscular por ter ficado muito tempo sem fazer nada, isso é complicado demais. Trabalhamos encilhados e isso exige muito da coluna e incomoda bastante. Por isso que eu não quero aceitar montaria ainda. Imagina eu ter de sair de um páreo por não suportar a dor. Então eu quero estar bem para não ter problemas e dar o meu melhor.  

Relacionamento com os treinadores 

Acho que tem algumas pessoas que são mais próximas e que vão me ajudar, já estão me ajudando, aliás. Outros ainda tem um certo preconceito por eu ser mulher. Mas alguns treinadores que eu costumava trabalhar antes que sempre me apoiaram e seguem fazendo isso, estão me ajudando nesta minha volta. Eu só tenho que agradecer.

Início de carreira no Rio de Janeiro

Não tive muita ajuda. Sou do Sul e comecei em Porto Alegre. Entrei na escola de lá e pedi para vir para cá, mas não me aceitaram. Tive de fazer uma escolha: ficar lá ou virar joqueta logo para poder montar no Rio. Não tive como fazer de outro jeito. Vim com a cara e com a coragem, não conhecia ninguém. O preconceito era muito grande, ninguém queria que eu montasse, foi muito complicado. Fiquei trabalhando uns dois meses sem saber se eu iria receber a matrícula de joqueta. Isso foi muito ruim para mim. Aí, fiquei muito tempo fazendo algumas montarias não tão boas e fiquei quatro meses para ganhar uma corrida. Sem experiência, até quando me davam bons cavalos, eu jogava fora. Passei o maior perrengue (risos).

 Carreira daqui para frente  

Por enquanto eu quero fazer a minha carreira aqui, penso em ir pra fora algum dia. Mas não me firmei aqui ainda. Quero primeiro voltar, ter ritmo de corrida e saber se terei oportunidade boa para me firmar de vez aqui. Depende muito de como será daqui para frente. Não tenho como prever.  O que eu tenho a dizer é que antes de eu me machucar, eu estava muito desanimada. Não estava indo bem e já estava juntando dinheiro para ir para fora. Mas agora que eu fiquei longe, vi que o que eu gosto de fazer é montar, nasci para isso. comecei a pensar no que eu estava errando e o que eu posso mudar para reverter essa situação. Passei a refletir e ter uma esperança. Este será um verdadeiro recomeço da minha carreira. 

Por Emerson Silva e Sylvio Rondinelli Fotos: Sylvio Rondinelli

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