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Braço Forte – Milton Lodi

            O ótimo ganhador clássico nas melhores provas europeias, Manduro, apesar de só ter feito uma temporada de monta no Brasil, em “shuttle”, já se aponta como o melhor garanhão alemão que por aqui esteve. Após dois ou três que estiveram no Rio Grande do Sul, que fracassaram demonstrando detalhes negativos importantes em seus filhos, com problemas de respiração, de não suar bem e semelhantes, ficou uma impressão de um sangue internacional inadequado. Mas em outros países do mundo, os cavalos alemães foram aos poucos assumindo destaques. A criação do cavalo de corrida na Alemanha era, durante dezenas de anos, baseada em perfeição física e boa aptidão para percursos longos. Cavalos com defeitos importantes e dando a entender de boas possibilidades de transmitir defeitos graves, como defeitos estruturais, sangradores, e evidente qualidade inferior, eram sumariamente castrados. A raça alemã era caracterizada pela sanidade física, boa estrutura óssea, e qualidade para abordar com sucesso páreos em largas distancias, o que era comum naquelas épocas. Comparativamente com o Reino Unido e a França, maiores produtores quantitativa e qualitativamente, a Alemanha mantinha fora da tendência mundial de média menor nas distancias das provas de elite.

Enquanto os cavalos alemães eram voltados para as provas de 3.000 metros ou mais, várias importantes até em 4.000 metros, o mundo das corridas procurava prestigiar mais as provas nobres em distancias menores, influência da criação norte-americana, que em lugar de pistas com curvas e retas mais curtas, com a volta fechada das pistas em torno de 1.600 metros, e não de 2.000 metros ou mais. Assim, o então mundo moderno criava qualidade até 2.000 e 2.400 metros, enquanto a Alemanha produzia cavalos saudáveis e de menor aptidão. Houve naturalmente uma alteração das diretrizes alemãs, com o não registro para a reprodução de éguas que habitualmente necessitavam de bom amparo veterinário para poderem competir, e a eliminação nos haras de éguas que habitualmente produziam animais sem qualidade. Nessa época, um extraordinário veterinário alemão passava a metade do ano vistoriando os animais de toda a criação alemã, e a outra metade no Rio Grande do Sul como professor contratado, era o Dr. Merkt, de inteligência e conhecimentos de altíssimo padrão. Em um dos seus retornos à Alemanha, levou consigo como assistente o melhor aluno que por aqui encontrou. Esse veterinário é hoje e já de muito tempo, um dos mais importantes nomes da veterinária brasileira, o Dr. Carlos Antonio Mondino da Silva, por todos conhecido como Dr. Tonho. Ele é o proprietário e criador do Haras Cruz de Pedra, é professor emérito da escola de veterinária na cidade de Santa Maria, no Rio Grande do Sul, e atende clientes principalmente no Estado de São Paulo, com periódicas visitas. Esse discípulo do Professor Merkt é possivelmente o maior entendedor de reprodução equina. Mas o Brasil assistiu a evolução do cavalo alemão de corridas, muito deles já com importantes nomes de ganhadores clássicos internacionais em mescla com sangues de outros países. Antes dos bons resultados brasileiros resultantes da fase de transformação, houve uma em que garanhões alemães ainda com papéis só alemães. Devem ser mencionados, que vieram entre 1960 e 1970. Nisos veio para o Haras Guanabara. Era um bom cavalo, irmão próprio de Neckar, garanhão líder na Alemanha. Wilderer veio para o Haras Mondesir. Sua linha materna já havia dado quatro ganhadores do Derby alemão. Mogul também veio, para o Haras Fidalgo. Cavalo lindo, mas que não recebeu as oportunidades que merecia. Esses três mencionados eram filhos de Ticino, o garanhão líder na Alemanha. Mas Nisos, Wildererer e Mogul deixaram a desejar. O melhor dos alemães importados foi Takt, um filho de Gundomar em filha de Oleander, ganhador do Derby austríaco, que veio para o Haras Ipiranga. Deu muitos ótimos ganhadores, inclusive de clássicos, com destaque para Moustache, vencedor do Grande Premio São Paulo.

Mas de um modo geral os alemães não deram o que deles se esperava. Após mais de 25 anos, eis que dois corredores alemães, por pai, foram considerados em suas épocas, os melhores corredores da Europa. Shirocco e Manduro, de físicos invejáveis, sãos, perfeitos de aprumos, sem quaisquer tipos de taras, férteis, e produzindo qualidade. Shirocco veio em “shuttle” em três temporadas, e logo deu ganhadores de provas nobres, inclusive de Grupo I. Fisicamente Shirocco(foto) é uma beleza. Grande, forte e muito manso, Shirocco deixou saudades.SHIROCCO

Quanto ao seu irmão paterno Manduro, só esteve no Brasil em uma temporada e enquanto aqui esteve, os seus primeiros filhos europeus já se iniciaram nas pistas com muito sucesso. Aqui no Brasil deu desde logo muita qualidade. A sua primeira produção brasileira foi no segundo semestre de 2012, dando ótima impressão, em termos médios ótimo início. Mas como nas competitivas corridas de cavalos há sempre um fator de risco para os jóqueis e os próprios cavalos, no Pellegrini de 2015 um dos melhores filhos de Manduro, o clássico Braço Forte, voltou da raia de grama de San Isidro com fratura no boleto do posterior esquerdo. De nada adiantaram os cuidados veterinários, Braço Forte(foto abaixo) não chegou a voltar para o Brasil, teve que ser sacrificado.Braco Forte Chegada 21

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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