O jóquei Carlos Henrique, 23 anos, carinhosamente conhecido como Sequinho, esteve novamente no Brasil. Ex-aluno da Escola de Profissionais do Turfe do Jockey Club Brasileiro, entre os anos de 2010/2011, C.Henrique está há 4 anos brilhando na Índia, correndo nos hipódromos de Hyderabad, o segundo maior do país, e Bangalore. De passagem em terras brasileiras para passar as festas de fim de ano e rever os amigos, o jóquei revelou em entrevista ao JCB que, apesar de ter o sonho de retornar ao país para fazer carreira, não pretende fazer isso agora, principalmente após receber propostas para dar um passo maior em sua brilhante, mas ainda curta carreira.
– O caminho é difícil na Índia, mas estou muito feliz. Voltarei pra lá e ficarei até março. Depois, vou estudar uma proposta muito boa para correr na Europa. É um sonho que deve acontecer, mas é algo que ainda está amadurecendo – revelou.
Mesmo com as dificuldades da língua, alimentação e lazer, o jovem nascido em Cordeiro, Região Serrana do Rio, está focado em seu sucesso, seguindo os passos de um ídolo, que também trilha um belo caminho: Silvestre de Souza.
– Eu não conhecia nada e ninguém por lá. Me inspirei na história do Silvestre de Souza que era galopador na Inglaterra quando recebeu uma proposta para correr na Índia. Hoje ele faz sucesso na Europa e já ganhou muito por lá. Uma história bem bacana que me inspira até hoje – afirmou.
CONFIRA A ENTREVISTA DE C.HENRIQUE PARA O JCB:
JCB: Como foi o início de sua carreira?
O meu pai foi galopador do Haras das Estrelas. Nasci nesta época, no meio dos cavalos. Logo depois ele passou a 2º gerente, mais para frente foi para o Haras Santa Maria de Araras. Essa vida dele sempre ligada aos cavalos me inspirou, passei a montar desde pequeno e não parei mais. As coisas ficaram mais sérias quando eu, aos 16 anos, passei a integrar a Escola de Profissionais do Turfe. Depois foi só aprender mais com os profissionais de lá, muito bons por sinal. Coisas que até hoje eu levo comigo para onde vou. Sou muito grato por esta experiência na EPT.
JCB: Quando surgiu a oportunidade para ir para Índia?
Há 4 anos a Mayra Frederico (Gerente de turfe do JCB) me indicou para um proprietário que buscava um jóquei jovem e bem leve para competir por lá. Eu estava próximo de me tornar um jóquei e ela me perguntou se eu gostaria de ir, para aprender a falar um inglês melhor…Poxa, não pensei duas vezes. A oportunidade de correr em outro país, aprender uma cultura nova, nova língua, costumes. Uma chance que eu não sabia quando teria novamente. E Certamente a Mayra me deu a maior oportunidade da minha vida, sem dúvidas.
JCB: E as montarias por lá, estão satisfatórias para você?
Hoje sou contratado por um proprietário e um treinador que tem ao todo 48 cavalos para montar. São bons animais que me fazem brigar por vitórias por lá. O que dificulta muito brigar pelas estatísticas é que o estrangeiros só podem correr 50% dos páreos. E isso é controlado pelo hipódromo, é regra deles, não tem jeito. Apesar disso, eu consigo me destacar e ir bem, graças a Deus. As minhas maiores vitórias foram na Índia. Tenho uma vitória de GI-Ind para potros, ganhei outro de GI-Ind para potrancas. Tem mais uma vitória muito marcante, que foi um Derby para animais de 4 ou mais idade. Tenho muito a crescer e a conquistar ainda, quem sabe?
Conte como é o seu dia a dia na Índia?
É tudo muito puxado pela Índia. O clima é muito seco e quente, bem parecido com o Brasil. Começo a trabalhar os animais bem fortes às 4:30hs, nas terças e quartas-feiras. Na quinta, eu viajo para o Hipódromo de Hyderabad, que fica um pouco longe de onde eu moro. Corro lá sexta e sábado. Domingo e segunda, já estou no Hipódromo de Bangalore para correr lá também. Então, estou sempre viajando. É cansativo e muito difícil, mas estou muito feliz de poder correr e fazer carreira por lá.
JCB: Quando não está trabalhando, o que você faz para passar o tempo?
Nada (risos). Não tenho lazer nenhum. Como eu falei, viajo muito e isso dificulta demais o lazer. Mas quando não estou no trabalho, vou para a academia, vou ao shopping. Fora que eu não falo a lingua deles, cada estado fala uma língua diferente. Fico no hotel para passar o tempo, vejo filmes em inglês, que é a língua que eu me comunico, mas é tudo muito solitário. Mas me acostumei, já que já fazem 4 anos desde a primeira vez que fui. O começo foi bem mais difícil, hoje eu tiro de letra. O maior problema é a saudade dos amigos, da minha namorada, que mora aqui no Brasil, porém estou sempre voltando e matando a saudade de todos.
JCB: E os seus planos para 2016?
Voltarei para Índia e ficarei até março, que é quando termina a temporada. Depois, vou estudar uma proposta muito boa para correr na Europa. É um sonho que deve acontecer, mas é algo que ainda está amadurecendo. Não posso concretizar nada agora, pois preciso ir até lá (Europa) para negociar com os agentes e fechar tudo. Antes disso eu devo correr na reabertura do Hipódromo do Tarumã, no Paraná. Será uma grande oportunidade de rever os amigos e matar a saudade de correr por aqui. Tenho 23 anos e devo demorar um pouco para voltar e fazer carreira aqui no Brasil.
Confira o vídeo da vitória de C.Henrique com Go Green em Bangalore no dia do Derby – CLIQUE AQUI PARA VER

