Pellegrini 2015: Hi Happy, dois brasileiros e muita emoção à vista » Jockey Club Brasileiro - Turfe

Pellegrini 2015: Hi Happy, dois brasileiros e muita emoção à vista

A temporada turfística na América do Sul ganha seus últimos movimentos, em 2015, e junto dela se avizinha, mais uma vez, a disputa daquela é, de longa data, a mais importante corrida do continente. Prova que atrai os interesses de turfistas e profissionais, de dentro e de fora da Argentina, o Gran Premio Carlos Pellegrini (gr.I) voltará a ser disputado no próximo sábado (12), no belíssimo Hipódromo de San Isidro.

 

Invicto e ganhador de 3 provas de G1, Hi Happy é o favorito natural do “Pellegrini”

Imagem: Caballos Del Mundo

 

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Como é sabido, a Argentina passa por um momento de transição – e, quem sabe, de transformações – em seu plano socio-político. Mauricio Macri, recém eleito à cadeira mais alta da Casa Rosada, será o primeiro presidente não-peronista do país, em décadas. Igualmente, dentro das pistas, os tempos também são de mudança no país. Hi Happy, depois de alguns bons anos, volta a presentear o Pellegrini com a presença de um autêntico craque local, coisa que talvez Indy Point, em 2012, tenha passado bastante próximo de fazê-lo. Entre os burreros e aficionados argentinos há, porém, quem afirme que desde Freddy (a exemplo de Hi Happy, outro defensor do Haras La Providencia), no início da década passada, que a prova não contava com a presença de um corredor, nas mesmas condições e recursos, de Hi Happy. 

Desde os seus primeiros trabalhos Hi Happy fora capaz de impressionar os experientes olhos de José Martins Alves. Porém, o vitorioso treinador brasileiro, de inúmeras taças conseguidas, principalmente, para os Depieri e Paula Machado, perdeu sua extenuante batalha contra o câncer e sequer pode ver Hi Happy debutar. Quis o destino, assim, que o alazão calçado das 4 patas tivesse seu treinamento destinado a outro valor – a exemplo de Alves – proveniente da riquíssima escola de treinadores de Cidade Jardim. Quando estava prestes a se transferir para Maroñas, Pedro Nickel Filho veio a ser selecionado como o novo treinador da tropa do Haras La Providencia, na Argentina. E logo em sua primeira temporada no concorrido turfe portenho, Nickel encontrou em suas cocheiras o craque pelo qual a coudelaria tanto aguardava, desde o surgimento do já citado Freddy.

No melhor momento de sua campanha, Champion Star defende 4 vitórias “a fio”

Imagem: Gérson Martins

Em sua estreia, no mês de maio, Hi Happy venceu uma eliminatória, em San Isidro, por 4 corpos. Na atuação seguinte, o corredor deveria competir no Estrellas Juvenile (gr.I), mas uma sabotagem deflagrada a tempo, nos bastidores da cocheira, impediu sua participação na prova. Um funcionário do staff medicou Hi Happy, mas teve sua conduta reproduzida pelas câmeas de vigilância das cocheiras – de tal sorte que Hi Happy sequer fora apresentado no importante compromisso. Assim, seu retorno acabou adiado para as Dos Mil Guineas (gr.I) de agosto, nas quais, muito embora tendo escoltado Elektro Jack, Hi Happy restou elevado para o primeiro lugar após a desclassificação do rival – reprovado no antidoping. No G1 do “Jockey Club”, em outubro, Hi Happy suplantou o ganhador da “Polla”, Le Blues, e ali mostrou as garras para o teste de fogo de sua campanha, até então: o Derby do Gran Premio Nacional (gr.I).

Naquela que talvez tenha sido a chegada mais emocionante do ano no turfe argentino, Hi Happy (em sua primeira corrida an areia) alcançou Old Bunch nos últimos lances da prova. Altair Domingos, que dera um show à parte na condução de Hi Happy, não escondeu, na entrevista concedida após o páreo, que a textura da pista fora um grande obstáculo no caminho de Hi Happy – que, de acordo com Domingos, venceu a prova “na base do coração”. A afirmação do campeão da estatística local, aliás, se traduziu na própria transmissão do páreo, e de seus dramáticos últimos metros. Mesmo com o páreo praticamente perdido, a 50 metros do disco, Hi Happy mostrou a todos que, além de qualidade, também possui a virtude que diferencia os grandes craques dos meros bons cavalos: a vontade insaciável de vencer.

Padrão de regularidade, o alazão Braço Forte torce por chuva em Buenos Aires

Imagem: Gérson Martins

E é assim que Hi Happy chega ao Pellegrini: invicto e poderoso. Tendo acusado perfeita adaptação à distância alentada, o alazão tem no retorno à pista de grama um trunfo bastante considerável para o próximo sábado. E para fazer frente aos mais velhos, pela primeira vez, Hi Happy conta com outra importante cartada: os 54 quilos a ser deslocados contra até 61 quilos dos animais de mais idade. 

Com duas vitórias nos últimos 5 anos de “Pellegrini” (Xin Xu lin em 2010 e Going Somewhere em 2012) e ainda um segundo lugar a cabeça (a “doída” derrota de Veraneio para Expressive Halo 2011), a criação brasileira, desta feita, contará com dois representantes no páreo. O mais novo deles, Braço Forte, poderá render ao Haras Moema um troféu que a farda da família Buffolo estivera próxima de vencer em 1999, quando Puerto-Madero finalizou em quarto, a pouco mais de 3 corpos do ganhador Asidero. Dono da mais regular – e ao mesmo tempo qualificada – campanha, dentre os machos da geração 2012 no Brasil, Braço Forte (criado pelo Stud Eternamente Rio) venceu provas de G1 aos 2 e 3 anos, e sempre chamou atenção o seu grande rendimento na raia anormal. No Derby de Cidade Jardim, no qual acabou superado por Reality Bites, uma partida demasiadamente precoce (em muito devida à presença de Jopollo no páreo) minou, em boa parcela, a potencial vitória do alazão, que segue sendo o mais destacado elemento da primeira geração brasileira de Manduro.

Old Bunch vendeu caro a derrota para Hi Happy no Derby e agora quer a desforra

Imagem: Turf Diario

Ao lado de Braço Forte, Champion Star, do Haras San Francesco, será o outro representante brasileiro no páreo. Filho do nacional Hard Buck, Champion Star atravessa o melhor momento de sua campanha e defende uma série invicta de 4 corridas – pertencendo 3 delas à chamada clássica de Cidade Jardim. Criado pelo Haras Santa Luzia da Água Branca, Champion Star perdeu uma única vez ao competir em distâncias iguais, ou superiores, à distância de 2.000 metros. Foi no Grande Prêmio Brasil (gr.I) deste ano, quando realizou a primeira tentativa de sua campanha na esfera nobre, e veio a competir sobre uma raia consideravelmente pesada.

Muito embora Braço Forte e Champion Star sejam dois bons corredores, com recursos técnicos suficientes para desempenhar bons papéis em solo argentino, é inegável que os nomes em suas respectivas retaguardas também poderão pesar, e muito, na hora da decisão. O treinador de Braço Forte, Victorio Fornasaro, foi o primeiro profissional de sua classe a vencer o Derby Argentino (com Eu Também, em 2006) mantendo sua base no Brasil. Já José Luiz Aranha, que responde pelo preparo de Champion Star, é o atual bicampeão da estatística em Cidade Jardim, sendo que no ano passado, na Copa de Plata (gr.I), a sua então pupila Last Kiss conseguiu um chamativo terceiro lugar, para a ótima Pretty Girl. Ou seja, logística, experiência e capacidade não faltam a nenhum dos dois. Já na parte de cima do selim, a dupla de corredores “brazucas” contará com dois dos melhores jóqueis de sua geração. Alex Mota, que pilotará Braço Forte pela primeira vez, é um poço de frieza, bem à maneira que recomenda a reta final de um Pellegrini. Já Vagner Leal, fiel companheiro de Champion Star, esbanja nos quesitos preparo físico e noção de percurso, e é outra garantia para uma boa apresentação de seu conduzido.

O experiente Ordak Dan esteve no Kentucky para a disputa da Breeders’ Cup Turf

Imagem: Turf Diario

Além da já abordada inscrição de Hi Happy, há outros consideráveis obstáculos, por óbvio, no caminho dos brasileiros. O próprio Old Bunch, que ofereceu grande resistência ao favorito, no Derby, é nome que recomenda bastante atenção, tendo a sua montaria assinada por José Aparecido. Vindo de falhar na Breeders’ Cup Turf, Ordak Dan – monta de Jorge Ricardo – possui categoria de sobra em sua bagagem. Os ganhadores dos Gran Premios Miguel Alfredo Martinez de Hoz (gr.I) e Estrellas Classic (gr.I), respectivamente, Alma de Acero e Quiz Quid, também não podem passar “batidos” sob as vistas atentas dos apostadores. Por fim, dentre os nomes mais bajulados pelos especialistas, não há como escapar à menção de Keane. Vitorioso em sua única saída, no mês de agosto (uma eliminatória para produtos de 3 anos, em 1.400m, que vencera por 7 corpos), o filho de Equal Stripes aparece inscrito diretamente na prova máxima do turfe argentino, levando consigo o brasileiro Francisco Leandro.

Com os dados – e a sorte – lançados, os amantes latinos do “esporte dos reis” agora reúnem seus últimos esforços no ano, para acompanhar a grande festa de Buenos Aires. E não importa a idade, a classe social, ou qualquer coisa que o valha: como um bom tango argentino, o Carlos Pellegrini sempre estará “aí”, pronto para emocionar a toda uma multidão.

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fonte: site da ABCPCC

 

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