Anabolizantes, Provas Tríplices Coroas, por Milton Lodi » Jockey Club Brasileiro - Turfe

Anabolizantes, Provas Tríplices Coroas, por Milton Lodi

Em junho de 2014 a autoridade máxima do turfe britânico, a BHA (British Horseracing Authority) manifestou o seu entendimento quanto à eventual ministração de esteróides anabolizantes, declarando tolerância zero. Assim, em função da determinação, desde 1º de janeiro de 2015 todos os cavalos da Grã Bretanha não podem tomar asteróides anabolizantes, nem na fase de criação como também em atividades posteriores, e exames poderão ser feitos pelas autoridades em quaisquer épocas e/ou momentos, em quaisquer lugares onde estejam, e caso o teste resulte positivo, o cavalo ficará suspenso de qualquer treinamento por 12 meses, e nas pistas por 14 meses. O rigor é naturalmente extensivo aos estrangeiros que forem inscritos, devendo eles chegar com antecedência mínima de 14 dias, para dar oportunidade de coleta de sangue para exames. A BHA tomou essa decisão baseada em fatos práticos e em função de profundos estudos, que revelam um artificial aumento no potencial de corridas, fraudando uma competição que tem que primar pela lisura e por resultados confiáveis, em função da pretendida melhoria da raça equina.

Tivemos no dia sete de setembro as duas primeiras provas das tríplices coroas paulistas, o Barão de Piracicaba para as potrancas e o Ipiranga para os produtos (machos). No Barão, a grande expectativa era a atuação da líder invicta Juno, uma filha do nacional Setembro Chove, excelente milheiro que é do Haras Chesapeake, no Paraná. Setembro Chove cobria até agora cerca de meia dúzia de éguas, e as performances de Juno, com até então 5 corridas e 5 vitórias, definiram o seu padrão clássico. Setembro Chove é um filho de Fast Gold, de muito bom pedigree, e habitual figurante nos papéis de bons corredores. No Barão, Juno correu perto, e a sua arremetida na reta de chegadas não deixou duvidas quanto às suas qualidades, vencendo com muita autoridade por pelo menos 2 corpos. Foi uma brilhante exibição de alto padrão. Pelo menos até a milha, não tem competidoras na ala feminina de sua geração. No Ipiranga, as atenções estavam voltadas para três detalhes principais. O jóquei brasileiro Altair Domingos, radicado na Argentina e lá líder da estatística, viera especialmente para montar Jopollo, uma das principais forças no páreo. Braço Forte era até então considerado como o maior valor do páreo, tendo inclusive ido ao hipódromo da gávea e lá vencido um forte grande premio de Gr.1. Mas o terceiro detalhe ficou por conta da joqueta Jeane Alves, que habitualmente montava Braço Forte, e que tinha preferido à montaria de um companheiro de Braço Forte, sobrando a montaria para I. Santana. O páreo foi eletrizante, pois o pilotado de Altair Domingos correu bem colocado e na entrada da reta foi resolutamente para a ponta, livrou boa vantagem, e então na reta final com aparente domínio. Quando o resultado já parecia definido, nos últimos metros surgiu Braço Forte, que ainda teve tempo de sacar meio corpo de vantagem. Esse Braço Forte só veio confirmar que, pelo menos até o momento, é o melhor macho de 3 anos da sua geração. Tanto Juno como Braço Forte venceram em suas categorias o Troféu Mossoró de 2014-2015. A espetacular vitória de Braço Forte só veio aumentar a tristeza da criação brasileira em não poder contar em definitivo com o pai Manduro, que já estava com a sua compra definitiva por brasileiros acertada, mas o compromisso final não foi correspondido pela Darley, apesar da concordância dos pretensos compradores quanto ao preço. Manduro, que veio ao Brasil em “shuttle” em 2011, ficando no Haras Santa Ana do Rio Grande, em Bagé, foi um especialíssimo corredor na Europa, e em 2009 em sua primeira geração européia, produziu ótimos ganhadores, inclusive de Grupo I. Quando surgem bons 2 anos em uma geração, e que mostram ter não só precocidade como qualidade, é um ponto altamente positivo para o turfe de um modo geral, e em particular o brasileiro, que tem hoje um padrão de garanhões de provas de Grupo I que deixa a desejar. É claro que não são todos, mas há muitos que brilham mais pela menor qualidade do grupo de um modo geral do que por suas próprias qualidades. Só para exemplificar, dois casos recentes. No Grande Premio João Borges Filho, Grupo II na Gávea, estava prevista a volta de Barolo, bom ganhador do GP Brasil de 2015. Infelizmente ele foi retirado, por lesão. Com a falta dele, o páreo resumiu-se em uma luta entre aqueles que principalmente seriam perdedores, animais com certas qualidades, mas não brilhantes. Outro caso foi quando do congresso realizado recentemente em Santiago do Chile, quando os dois G.G.P.P Presidente da República, foram advertidos quanto ao padrão técnico, e se esse detalhe não for melhorado, cairão para Grupo II.

Gostou da notícia? Compartilhe!

Pular para o conteúdo