Como costuma fazer anualmente, o criador José Carlos Fragoso Pires Júnior apresentou em agosto de 2015 um levantamento da produção dos cavalos de raça P.S.I, desta vez de 1970 a 2014, isto é, referente aos últimos 45 anos. Os números apresentados são oficiais, oriundos do Stud Book Brasileiro, setor da Associação Brasileira. Esses resultados podem ainda sofrer ajustes, da ordem aproximada de até 4%. Uma análise dos dois últimos períodos mostra uma diminuição do número de éguas da ordem de pouco mais de 12,5%. No comparativo dos garanhões, a mesma queda de pouco mais de 12%. Como consequência natural, também decresceu o número de produtos, quase 13%. Ao contrário desses resultados, o número de criadores manteve-se estável, a rigor um aumento ínfimo, cerca de 0,003%.
Explora-se o mesmo número de criadores, com menores números de éguas, de reprodutores e de produtos com a ida, em função dos baixos preços de mercado, com criadores de outras raças comprando éguas P.S.I para melhoria de seus plantéis, ou simplesmente como barrigas de aluguel, com isso melhorando o padrão das éguas permanecentes, evidentemente as melhores, o mesmo acontecendo com os garanhões entendidos como piores. Essa anual diminuição do número de produtos já está refletindo nos hipódromos principais, já com número insuficiente de corredores. Há ainda a serem consideradas as pequenas mas crescentes e permanentes exportações, principalmente para o Uruguai, que já acordou para o fato de que as importações devem ser feitas dos plantéis melhores, no caso atual do Brasil, em lugar da habitual fonte já de algum tempo em declínio, no caso a Argentina. Por outro lado, esse “enxugamento” que se vê na criação brasileira tem como contrapartida a melhoria do padrão médio, e isso vêm repetidamente se verificando em pistas internacionais, com vitórias importantes no Uruguai, na Argentina e na Europa, além de alguns brilhos no circense turfe norte-americano.
Voltando aos números apresentados pelo criador José Carlos Fragoso Pires Júnior, eles foram divulgados no referente trabalho ano a ano, resultado dos tais 45 anos. Para uma apreciação menos detalhada mas mais pertinente às várias épocas, pode-se dividir, os 45 anos em 3 grupos de onze anos, mais um grupo de doze anos, isto é, 1970/1980, 1981/1991, 1992/2002 e 2003/2014.
1º Período- 1970/1980
– Éguas de 5001 para 8475
– Garanhões de 643 para 889
– Produtos de 2648 para 4637
2º Período- 1981/1991
– Éguas de 8823 para 8077
– Garanhões de 887 para 831
– Produtos de 4739 para 4579
3º Período- 1992/2002
– Éguas de 7382 para 4715
– Garanhões de 748 para 361
– Produtos de 4375 para 3429
4º Período- 2003/2014
– Éguas de 4575 para 3089
– Garanhões de 339 para 201
– Produtos de 3238 para 2367
O que se nota não é bom, e em boa parte é reflexo dos inadequados prêmios oferecidos pelas entidades promotoras de corridas e a situação econômico-financeira pela qual passa o nosso país, com uma desastrosa política de absurda taxação daqueles que produzem e uma simultânea distribuição de dinheiro incentivando a classe financeira financeiramente mais baixa a não trabalhar. Isso naturalmente incentiva os grandes dinheiros a se afastarem de práticas produtivas e consequente migração dos recursos para aplicações financeiras, assim aumentando o desemprego e o número de pessoas que não trabalham, nada produzem, e são sustentados pelo Governo. Uma das maiores inteligências de todos os tempos, Ruy Barbosa, em seu pequeno livro Oração aos Moços, diz com suas próprias palavras que fazer justiça não é dar a todos as mesmas coisas, fazer justiça é dar a cada um aquilo que cada um merece. É um raciocínio lógico, os melhores vão sempre se sobressair dos piores, e cabe aos Governos tentar minimizar as naturais diferenças proporcionando educação àqueles que estão em situação pior na natural escala das desigualdades, tirar abusivamente dos melhores e dar de graça para os piores é tentar igualar as desigualdades, é enfraquecer as forças do país, e puxar para baixo o panorama geral. O caminho é tentar melhorar os que estão por baixo, e não dar a eles de forma imprópria aquilo que eles, em grande parte, não fazem por merecer.
Voltando ao ótimo trabalho dos ”Números da Criação Brasileira de 1970 a 2014”, o turfe brasileiro, de um modo geral, deve ter que aguardar melhor orientação governamental, e que as condições de vida do setor do turfe, responsável direta e/ou indiretamente por mais de 100 mil empregos, saia bem dessa crise que já se instalou há tantos anos. Não é possível que haja um clube em sacrificada situação financeira, a ponto de não ter recursos para pagar mensalmente as suas obrigações financeiras, pois todos os seus dinheiros tem que ser aplicados em pagamentos de impostos federais, estaduais e municipais, que o Ministério da Agricultura não providencie com rigor a extinção de focos regionais de doenças infecto-contagiosas, que permita o descalabro de um clube de corridas com administração irregular para se dizer pouco, e assim por diante.
