Continuando com as suas excelentes pesquisas, o criador José Carlos Fragoso Pires Júnior fez um detalhado trabalho no sentido de saber quais os reprodutores que deverão trabalhar no 2º semestre de 2015 nos haras paranaenses. Contando com a valiosa colaboração do criador Duílio Berleze e do turfista James Romanó, chegou-se a uma relação muito bem feita. Duílio Berleze é filho de Heitor Berleze, o faz tudo do Haras Paraná, e James Romanó é o responsável pela sessão paranaense do Stud Book Brasileiro, e filho do jóquei-amador Nei Romanó, que era um destacado turfista há cerca de 50 anos. O entusiasmo de Heitor Berleze e Nei Romanó foi transmitido aos filhos Duílio e James.
Há muitos e muitos anos, o Interventor do Estado do Paraná, nome título equivalente depois a Governador do Estado, de nome Manoel Ribas, gostava das corridas e da criação dos cavalos, e para incentivar a criação dos cavalos da raça inglesa, determinou desconto, menor taxação, para as propriedades que tivessem éguas puras daquela raça em criação. A taxação beneficiada foi um forte estímulo para que fazendeiros e criadores comprassem éguas para a criação de produtos puro-sangue inglês para corridas. Foi um inteligente estímulo, e daí em diante o Estado do Paraná figura até hoje como um dos três primeiros Estados Brasileiros não só em quantidade como em qualidade em nosso país. Atualmente, o Paraná tem, como São Paulo, 21% do plantel nacional, os dois empatados, seguindo o líder Rio Grande do Sul, que representa 49,5%.
Apenas para falar em dois dos inúmeros ótimos corredores paranaenses, deve-se citar o tríplice-coroado paulista Giant e Much Better, um dos melhores corredores nacionais de todos os tempos.
De um modo geral, dentre os melhores haras paranaenses após o formidável impulso dado por Manoel Ribas, dois destaques eram o Haras Valente, de Luiz Gurgel do Amaral Valente, e o Paraná de Alô Ticoulat Guimarães e Farid Surugi. O grande veterinário da época no Paraná era Heliodoro Duboc, que atendia entre inúmeros outros clientes, os dois citados haras. Com o passar dos anos, o Haras Paraná, no limite de Curitiba, foi desfeito e vendido pela alta valorização das terras, assim desaparecendo um haras que contava com as régias pastagens naturais das áreas perto de Curitiba. Aquela área está toda asfaltada, e hoje é uma autoestrada de rodagem. Luiz Valente não tinha descendente, e depois de sua morte o Haras Valente os novos proprietários mantiveram o nome original.
Esses dois haras funcionavam de maneira distinta, de acordo com a personalidade de seus proprietários. O Paraná, de Alô Guimarães, as éguas eram via de regra oriundas de doações e/ou trocas, e quando da 2ª Guerra Mundial (1939/1945), havia grandes e baratas ofertas de animais europeus, e um deles foi comprado muito barato que se mostrou um excelente garanhão, Fair Trader, um filho de Fair Way. O haras vendia as barrigadas logo quando da constatação de prenhes, e o dono da barrigada passava a pagar, com isso livrando o Haras Paraná de despesas com manutenção dos animais e do funcionamento do haras. Se uma égua não terminava uma gestação regular (absorção, aborto, etc.), aquela barrigada era substituída por uma das duas ou três barrigadas sem compromisso, reservadas para esse fim. Assim, o proprietário continuava pagando por uma barrigada sem outros problemas.
Naquela época, o haras repousava sob três pilares, quais seja, o trabalho de Heitor Berleze, (que fora de um haras piloto fundado por Manoel Ribas e depois desativado, indo Heitor para o Haras Paraná, a excelência das terras próximas a Curitiba, e Fair Trader). Já o Haras Valente tinha um proprietário amigo de todos, homem de bom humor, e que importava garanhões, tendo dentre eles se destacado o francês Dernah, um bom garanhão filho de Djebel.
Na era moderna, desfalcada recentemente pelo ótimo Haras Estrela Energia, os Haras Santa Rita da Serra, o São Jose da Serra, o LLC, o Santarém, são as grandes forças da criação paranaense.
A seguir, os haras paranaenses com seus reprodutores para a estação de monta de 2015.
– Hs.Cima – Al Brook
– Hs. Chesapeake – Setembro Chove
– Hs. Coudelaria Colaço – Dearest Son
– Hs. Clemente Moletta – É do Sul
– Hs. Duílio Berleze – Senhor Juli
– Hs. das Azaléias – Itaoaré, Mutasallil e Val de Grace
– Hs. Don Felipe do Sul – Thompson Rouge
– Hs. Ênio dos Santos – Zênite
– Hs. Girassóis – Pioneering e Salto
– Hs. Guamiranga – Nitrogênio
– Hs. Las Madres – Red Rock Canyon
– Hs. LLC – Lewis
– Hs. Marlon Siqueira – Chá Inglês
– Hs. Marcos Cunha – Prince of Wales
– Hs. M. M. Barreta – Totosão
– Hs. Peron Ferrari – Swell
– Hs. Rio Iguassú – Jeton de Luxo
– Hs. Santarém – Impression e Tiger Heart
– Hs. São Jose da Serra – Forestry e Timeo
– Hs. Santa Rita da Serra – Silent Times e Torrential
– Hs. Santa Jovita – Príncipe dos Mares
– Hs. São Luiz – Ivoire
– Hs. Springfield – Amigoni e Midshipman
– Hs. Truc – Another Show
– Hs. Valente – Craft C.T, Lord Marcos, Roxinho e Thignon Boy
Com a ida para o Rio Grande do Sul do importante japonês Agnes Gold e do grande promissor nacional Glória de Campeão egressos da liquidação do Haras Estrela Energia, houve um grande desfalque nos garanhões habitualmente sediados no Paraná, mas um seleto grupo de criadores, dentre eles, o Santa Rita da Serra, o São José da Serra, o Las Madres, o Springfield, e outros estão trazendo em shuttle o norte-americano Midshipman, que ficará sediado no Springfield.
