Poucos anos antes de 1940 até pouco depois de 1950, o turfe brasileiro recebeu enorme impulso. Naqueles pouco mais de 10 anos foram implantados haras da maior importância, que vieram fazer parte de um seleto grupo, no qual já estavam entre outros haras, o São José e Expedictus, o Mondesir, o Maranguape e os das famílias paulistas Assumpção e Lara Campos. Foi quando nasceram os haras, Bela Esperança, São Quirino, Jahú, Patente, Ipiranga, Guanabara, Faxina, São Bernardo, Bela Vista, Terra Branca, Santa Annita, Expert, Calunga, entre outros paulistas que foram seguidos pelo Malurica e o Rosa do Sul, dentre outros. No Paraná despontou bem o Haras Valente, seguido do Belmont e do Paraná, e outros, posteriormente o grande ganhador Haras J.B. Barros. No Rio Grande do Sul o grande destaque era o Haras do Arado de Breno Caldas. O entusiasmo daquela formidável implantação de haras qualitativos refletiu-se no nascimento do Bandeirantes, do Castelo, do São Miguel Arcanjo, do Morro Grande, do Maringá, do São Bento, do Vale da Boa Esperança, do São Luiz, do Pirajussara, do Pirassununga, do Rio das Pedras, do Santa Ana do Rio Grande, do Santa Maria de Araras, do Sideral, do Nacional, do Doce Vale, do Inshalla, do Anderson, do Santa Rita da Serra, do São José da Serra, entre outros. Impossível citar todos aqueles que influenciaram ou foram influenciados pela melhoria crescente do Jockey Club de São Paulo, mesmo contando o Jockey Club Brasileiro com a liderança nacional, já que contava com a preferência dos animais criados pelos São José e Expedictus e Mondesir.
Foi naquela época que os clubes promotores de corridas tiveram um grande surto de progresso. Muitos anos já se passaram desde aquela gloriosa época, e de lá pra cá o Turfe Brasileiro colheu muito sucesso, mas também derrotas e maus momentos. Os Jockeys Club Brasileiro, o de São Paulo e o do Rio Grande do Sul enfrentaram e ainda enfrentam problemas, decorrentes de anteriores administrações vaidosas, e/ou incompetentes, e/ou ainda mal intencionadas. O outro clube que figurava na elite, o do Paraná, está com a Carta Patente cassada, em função do mar de lama que é do conhecimento público.
A expressão “Jockey Club” erroneamente pressupõe nobreza, riqueza, aristocracia. Mas os tempos passam, os dinheiros mudam de mãos, tempo havia em que sócios dos clubes colocassem em seus cartões de visita, logo abaixo dos seus nomes, “sócio do Jockey Club”. Eu conheci vários que colocaram “diretor” ou “diretor do Jockey Club”.
Já há muito tempo que a situação internacional mudou, o turfe, “Esporte dos Reis”, embora ainda tenha o cunho da nobreza, não é necessário mais ser rico para ser um criador ou um proprietário de cavalos. A atividade turfística brasileira hoje depende fundamentalmente de aumentos sucessivos dos prêmios. Nenhum dos três clubes mais importantes diz ter os recursos financeiros necessários.
O Jockey Club de São Paulo só não fechou porque a atual Diretoria teve que sacrificar o Clube de um modo geral e o turfe em particular, tomando drásticas atitudes administrativas durante cerca de quatro anos. Agora, com o clube salvo, há que revigorá-lo, sob pena do doente morrer pela intensidade dos remédios aplicados para a cura. Já com as contas sob controle, o clube está saindo de um longo momento pré-falimentar, mas tendo que investir principalmente no setor turfístico para atrair os dinheiros dos turfistas, e isso só será possível com aumento nos prêmios, com isso atraindo mais cavalos, hoje em número insuficiente, e antigos e novos turfistas. Os Jockeys Clubs são em parte estrangulados pelas administrações municipais, estaduais e federais, que entendem, como foi dito publicamente por um paranaense à época na função de Ministro da Agricultura, “o turfe brasileiro é uma brincadeira de meia dúzia de riquinhos”. Só como um simples exemplo, sobre essa atividade deficitária mas que dá mais de 100 mil empregos diretos e indiretos, o imposto de renda sobre os eventuais prêmios ganhos tem desconto na fonte de 15%. Acredite quem quiser. Enquanto isso o Jockey Club Brasileiro vai revigorando o clube de um modo geral, mas os prêmios continuam estagnados. Para os criadores, proprietários e profissionais do turfe, isso é injusto. Já passou da hora de um aumento nos prêmios. Quanto ao Jockey Club do Rio Grande do Sul, está em mãos firmes e competentes, e segue uma linha administrativa apoiada por todos, pois é um caminho certo para a grande melhoria.
Agora é uma questão de tempo. Com os três clubes mais importantes do nosso país em mãos confiáveis e competentes, e só mais um pouco de paciência, e esperar que uma dose maior de bom senso ilumine as administrações com imediatos aumentos de prêmios, a única salvação dos clubes.
Com o passar do tempo à hegemonia do turfe brasileiro mudou de mãos mais de uma vez. Com o espetacular sucesso do “Sweepstake”, invenção dos beneméritos do turfe carioca Antonio Joaquim Peixoto de Castro Junior e Adhemar de Faria, o Rio assumiu a liderança nacional, mas com o correr do tempo, com administrações mais adequadas e valentes do que as do Rio, São Paulo chegou ao ponto em 1960 de um sucesso ímpar. Naquele ano, a então heróica e atrevida excursão de oito animais brasileiros a Buenos Aires para concorrer em quatro importantes provas em Palermo e San Isidro, e que resultou em quatro vitórias, todos os animais nascidos e criados em São Paulo. A criação brasileira começou a mudar quando os cariocas, desencantados com a inadequação das terras fluminenses para criar, compraram terras na região de Bagé – RS e com fortes investimentos passaram a ser o celeiro da criação do puro sangue de corridas no Brasil. Hoje, e já de algum tempo em Bagé – Aceguá nasce cerca de 1/3 (um terço) da produção nacional. A conseqüência natural é a vinda para o turfe carioca de maior parte da potrada gaúcha, mais qualitativa ficando assim o JCB com quantidade maior e melhor.
Aos poucos, parece que as coisas estão caminhando bem, apesar das dificuldades.
