Os Guinéus Cariocas, por Milton Lodi » Jockey Club Brasileiro - Turfe

Os Guinéus Cariocas, por Milton Lodi

O JCB ofereceu ao público turfista um excelente meeting no fim de semana das duas primeiras provas das Tríplices Coroas Cariocas. A programação nobre iniciou-se no sábado, dia 17 de janeiro para “potrancas de 2 anos”, em 1.000 metros. Esse Clássico Ministério da Agricultura foi vencido por Depends on Me. Uma filha do nacional Siphon em égua pelo ótimo Jules, de criação do Haras Santa Rita da Serra, um veterano campo de criação. Que já há alguns anos figura no primeiro time da criação nacional. A segunda colocação ficou com Piemonte, uma filha de Wild Event em filha de Know Heights, de criação do tradicional Haras Mondesir.

No domingo, tivemos o respectivo páreo dos “potros de 2 anos”, naturalmente também em 1.000 metros, o Clássico Hernani Azevedo Silva. Essa prova homenageia um dos mais importantes nomes do turfe nacional em todos os tempos, que chegou à Presidência do JCSP e lá praticou uma administração empresarial, o que resultou em um sucesso só comparável à gestão no JCB de José Carlos Fragoso Pires. Esses dos Presidentes em épocas distintas encontraram duas situações diferentes, mas os dois projetaram os dois turfes regionais à hegemonia do turfe brasileiro. Tanto o Haras São Luiz de Hernani Azevedo Silva, como o Haras Santa Ana do Rio Grande de José Carlos Fragoso Pires, ficaram para a história do turfe brasileiro como grandes expoentes. O vencedor foi Sixteen Tons, um filho do norte americano Pioneering em filha de Baligh e criação do Haras São José da Serra. O segundo colocado foi Raider, de criação do Haras LLC e filho de Tiger Heart em égua Redattore. Assim, os dois clássicos para os “dois anos” foram para as mãos de dois dos principais haras brasileiros, ambos sediados no Paraná.

Na terça-feira tivemos quatro provas de alto padrão. A primeira delas foi o G.P. Prefeitura da Cidade do Rio de Janeiro – Taça Cidade Maravilhosa (Gr.3), em 2.200 metros na areia. Os três primeiros colocados nasceram no Haras Anderson, em Bagé (RS). O vencedor foi Beautiful Point, por Point Given em égua por Dixieland Band. O segundo foi Ballpoint, também por Point Given mas em égua por Vermillion.

A segunda das provas importantes da terça-feira foi o G.P. Estado do Rio de Janeiro (Gr.1) em 1.6000 metros na grama para “produtos de 3 anos”. O páreo era forte, e esperava-se um ritmo violento mas, isso acabou não acontecendo. O companheiro do favorito Paint Naif, o “faixa” Oregon Pine foi logo para a dianteira, e imprimiu um bom ritmo mas com reservas. Não tendo sido incomodado até a entrada da reta final. Com isso, um magistral percurso do competente e experiente jóquei Carlos Lavor, teve condições de suportar as arremetidas de seus adversários, vencendo por suas próprias forças. Ele é um filho do notável Crimson Tide em égua por Ghadeer. A linha feminina do ganhador vem de uma das mais significativas éguas do Haras Santa Ana do Rio Grande, através do ramo da Refinada, filha de Kamel ganhadora de Gr.1, por sua vez mãe de Imperatriz Vivi por St. Chad, uma das poucas éguas do Stud Book Brasileiro a produzir três diferentes ganhadores de Gr.1, sendo um destes French Opera por Roi Normand, vencedora do G.P. Barão de Piracicaba (Gr.1), que com Ghadeer produziu a mãe do ganhador Oregon Pine. O vencedor é de criação do veterano Haras Mondesir e propriedade do Stud São Francisco da Serra. O segundo colocado foi Bonaparte, um filho de Elusive Quality em égua por Know Heights de criação e propriedade do Stud T.N.T., que não teve um percurso completamente favorável, com embaraços na reta final. O terceiro colocado foi o favorito da carreira, Paint Naif, também filho de Crimson Tide mas em égua Royal Academy, que também não encontrou caminho livre no final e também defendia as mesmas cores do ganhador Oregon Pine. Foi um páreo de intensa emoção.

A seguir veio o Clássico São Francisco Xavier (L.) em 1.000 metros na grama para “produtos de 3 e mais anos”. O potro Vallée de la Loire, de criação e propriedade do Haras Itá-Kunhã, foi corrido de forma equivocada. Em função de uma boa largada, foi levado a correr na ponta, com isso tendo lutado durante quase todo o percurso com os mais velozes, e naturalmente diminuiu nos metros finais. Correu muito bem e é uma grande promessa nos páreos de velocidade, se for corrido a preceito, isto é, guardando reservas para os últimos 200 metros. A vencedora e única égua do páreo foi à favorita Blind Ambition, uma filha de Put it Back em égua Roi Normand que como de hábito venceu todos os melhores velocistas sempre correndo colocada para uma partida final. É de criação e propriedade do haras líder, Santa Maria de Araras. O segundo colocado foi Desejado Magee, um Elusive Quality em filha de Spend a Buck, com ótima campanha em páreos curtos, sempre correndo colocado para um final forte.

A última das mais importantes provas da tarde foi a primeira da tríplice das potrancas, G. P. Henrique Possolo (Gr.1) em 1.600 metros na grama para “potrancas de 3 anos”. Correram dezessete das melhores potrancas do país. A vencedora em final conturbado foi January Jones, uma filha do alemão Shirocco em égua por Crimson Tide, de criação da Coudelaria Jéssica e de propriedade do Stud Art & Búzios. Em segundo a meia cabeça chegou Caritza do Araras, uma filha de Elusive Quality em égua por Put it Back. Em terceiro, perto chegou Cruseliner, uma Wild Event em égua Trempolino de criação do Araras e propriedade do Stud Estelinha. Foi um páreo emocionante, prometendo para o dia primeiro de março, no G.P. Diana (Gr.1) uma expectativa entusiasmante.

A vencedora é uma potranca de porte pequeno, mas mostrou-se de muita qualidade. Além disso, veio mostrar mais uma vez o acerto de alguns criadores que se associam para trazer em shuttle para o Brasil, animais que realmente tem o compromisso de colaborarem na melhoria do padrão da criação brasileira. O grupo que trouxe Shirocco é o mesmo liderado pelo Stud Capitão e ficou sediado no Haras Santa Ana do Rio Grande nesta sua primeira monta no Brasil (a segunda foi no Paraná e a terceira em São Paulo). Um cavalo de distancia preferencial em 2.400 metros e já dando na Europa e no Brasil importantes ganhadores de provas de grupo aos 3 anos de idade, mostra o acerto deste empreendimento.

Ainda há muitos bons Shiroccos por vir.

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