Reflexos do Bento 2014, por Milton Lodi » Jockey Club Brasileiro - Turfe

Reflexos do Bento 2014, por Milton Lodi

Prestigiado pelos Jockyes Clubs do Rio e de São Paulo, no sábado dia 15 de novembro, o Jockey Club do Rio Grande do Sul promoveu a sua maior anual festa turfística.

A festa iniciou-se na quinta-feira dia 13, com um programa de 13 páreos. Na sexta-feira, além de um leilão, o detalhe principal ficou por conta da entrevista concedida pelo excelente Presidente do clube. Entre outros assuntos, o Dr. Vecchio disse que já havia o JCRS firmado contrato garantindo a dotação de 100 mil reais para o Bento Gonçalves até 2019, isto é, garantindo a ótima dotação, a melhor do país para corridas na pista de areia, por mais cinco anos. Disse ainda o Presidente que há que ser reinventado o turfe, em moldes mais atraentes, e deu como um exemplo o que aconteceu no setor dos JCRS, que durante muitos anos era freqüentado por adultos e crianças, mas em evidente declínio, com instalações inconfortáveis e apresentações de animais até sem o trato adequado, e o setor havia sido revitalizado, reinventado mesmo como o Cirque de Soleil, que veio trazer um novo conceito, e que é hoje e já de algum tempo um espetáculo muito atraente e de muito boa categoria. O turfe brasileiro necessita de ser reinventado, para poder chegar ao sucesso almejado. No âmbito do turfe sulino, o JCRS já tinha tomado algumas providências, abrindo espaço para compromissos com o turfe Uruguaio, na sadia orientação de não fixar grande dependência dos turfes do Rio e de São Paulo. Falou ainda o Presidente Vecchio que há que ser feito o máximo dos esforços para aumento das dotações, que segundo as suas próprias palavras, são ridículas. As palavras do Presidente do JCRS causaram grande impacto na comunidade turfística.

No dia do Bento, o público compareceu, muita gente proporcionando um bom movimento de apostas.

Vários jóqueis e treinadores do Rio e de São Paulo prestigiaram o Bento- 2014, merecidamente justificando a sua permanência como Gr. 1, além da pretensiosa participação do melhor cavalo, Beduíno do Brasil, treinado por Carlos (Nenê) Pereira Gusso e que foi montado pelo jóquei paulista, W. Blandi.

Do Rio foram os jóqueis Alex Mota, Carlos Lavor e Vagner Borges, o que há de melhor no país, e de São Paulo V.Leal, W.Blandi e a excelente joqueta Josiane Gulart. Eram cinco cavalos concorrentes à prova principal. Uareademon(V.Leal), com ótimos resultados em provas clássicas na Gávea, em Cidade Jardim e em Maronãs, Beduíno do Brasil (W.Blandi), vencedor do Bento de 2013 e com recente vitória no Cristal no Protetora do Turfe em tempo record, Beautiful Point(C.Lavor), vindo de ótimas performances na Gávea e por muitos considerado a força do páreo, Save the Tiger(A Mota) muita chance, e Whoopee Maker (V.Borges), o único 3 anos da prova levando dos outros 7 kg de vantagem. A dúvida quanto à sua forma de ser corrido, cavalo ronceiro, pesado de ser levado, só atropelando na última reta, e com o problema da nova reta do Cristal ter só 450 metros.

O que se viu foi que Uareademon e Save the Tiger foram resolutamente para a frente, procurando um ritmo forte, com V.Borges em 3º afastado e à frente de Beduíno do Brasil e Whoopee Maker. O pião do páreo foi o jóquei Alex Mota, que em inteligente joqueada procurou desde logo uma boa vantagem que lhe permitisse não ser alcançado por C.Lavor, enquanto V.Borges aguardava a ultima reta com o potro. No desenrolar dos 2.400 metros do páreo brasileiro mais bem dotado,100mil reais ao vencedor, Uareademon ficou para trás, Beduíno do Brasil também não correspondeu às expectativas, e terminaram respectivamente e 4º e 5º, penúltimo e ultimo, chegaram bem afastados dos três primeiros, e pode ou deve ter havido motivos para isso. Quanto aos três primeiros, Alex Mota com Save the Tiger conseguiu o que queria, boa diferença no percurso para Beautiful Point, que apesar dos esforços do experiente e competente Carlos Lavor só começou a descontar na seta dos 600 metros finais, chegando a menos de dois corpos de Save the Tiger. Mas Whoopee Maker, o potro de 3 anos levando 7 kg de vantagem, muito bem levado pelo jóquei líder da Gávea Vagner Borges, apresentou-se para uma breve mas intensa luta, e só na linha final conseguiu vencer por uma cabeça. Um bonito páreo, com um final emocionante. Whopee Maker é um filho do norte-americano Macho Uno, que veio em “shuttle” para o Paraná, em égua por Belo Colony, uma cruza de precocidade e velocidade com um produtor de corredores de distâncias maiores. Whoopee Maker é de criação do Haras Ponta Porã. O Tempo do páreo foi muito especial, tendo o record sido baixado em mais de 4 segundos. Um páreo antes ele já havia sido diminuído. Foi um evento brilhante do JCRS, uma ótima tarde de corridas, uma bela festa turfística.

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