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Dois assuntos interessantes, por Milton Lodi

Não é fácil coordenar a cada ano o calendário clássico. No Rio esse trabalho técnico é exercido pelo competente Marcos Ribas, consultor da Comissão de Corridas do Jockey Club Brasileiro. A idéia primeira é manter as provas nobres nas mesmas épocas, mas nem sempre isso é possível, pois o turfe é dinâmico, e sempre surgem novidades no aspecto técnico. Mas entre as provas que vem através dos anos sendo mantidas na mesma época é o G.P.Euvaldi Lodi, sempre no mês de março. É tecnicamente uma época estratégica, daí o habitual sucesso na afluência de boas inscrições. A relação das vitoriosas nessa prova, nos seus muitos anos de realizações, mostra a qualidade, o padrão dessa prova. No mês de março, no citado grande prêmio de grupo III, costumam retornara correr éguas de boa categoria que voltam após três ou quatro meses de não comparecimento aos programas, em função de merecidos descansos de severas campanhas no ano anterior. Esse foi o caso, por exemplo, da excelente Sutil, de criação e propriedade do Haras São José da Serra, vencedora de várias provas de grupo, inclusive do importantíssimo G.P.Diana, Grupo I. Sutil voltou em março de 2014 com mais 16 kg em seu peso físico, e o G.P.Euvaldo Lodi serviria inclusive para colaborar na procura de um estado físico-técnico para enfrentar a temporada clássica de 2014, com perspectivas para o G.P.OSAF (ou outro novo nome dado à essa prova), por exemplo.Mas o páreo também serve de rigoroso teste para as éguas mais novas, as de 3 anos, usando o páreo como teste no confronto com as éguas de mais idade. É um valioso confronto de boas representantes de gerações diferentes.

Entre as mais novas, destaca-se Billy Gir, de criação e propriedade do lider nacional Haras Santa Maria de Araras, mais uma ótima filha do extraordinário Put-it-Back. Essa potranca já havia tirado um ótimo 2º lugar na 1ª prova da triplicce-coroa feminina, e segundo alguns competentes observadores não venceu por peripécias. Billy Girl tem por um lado uma extrema qualidade, mas por outro tem um temperamento complicado, o que prejudica,influi de forma não positiva em seu preparo. O terceiro nome da competição seria a mais velha Hegemonia, que no ano anterior havia vencido esse grande prêmio . O resultado do páreo não foi surpreendente, Billy Girl venceu na qualidade e com autoridade, sutil foi um bom 3º em função de uma corrida de reaparecimento, e Hegemonia infelizmente sentiu dos anteriores, enceprando a sua campanha nas pistas. Sai ano, entra ano, e esse Grande Prêmio aprensenta-se como um verdadeiro trampolim aferindo pretensões.

Embora alterações anuais se verifiquem nos calendários clássicos, para 2015 teremos alterações subtancias, importantes e definitas , como a natural decorrência da mudança da data do G.P.Brasil do 2º para o 1º semestre, e com a chamada do páreo indo de “produtos de 4 e mais anos” para “produtos de 3 e mais anos. A acomodação das temporadas clássicas do Rio e de São Paulo tornar se necessária. Como ótimo relacionamento dos três mais mas importantes clubes brasileiros  promotores de corridas, abriu-se a perspectiva de uma tríplice- ou rua: nacional. Se fosse uma quádrupla –coroa, considerando –se tríplice-coroado o ganhador do Derby e de mais duas das outras três, seria fácil, mas com apenas fica difícil, mesmo com a boa vontade do JCB e do JCSP, afastada desde logo a idéia de alternações, que em muito deslustraria a promoção. Mas a realização, seguindo o que ocorre nos mais adiantados e civilizados clubes de corrida do mundo, a época é no 2º semestre –calendário, ou 1º semestre hípico. Isso quer dizer de 1º de julho a 31 de dezembro. O bom senso indica o aproveitamento dos meses de setembro, outubro e novembro, em função das outras provas dos calendários. Assim, uma das prerrogativas seriam os primeiros domingos daqueles três meses. Quanto às tríplices-coroas femininas, elas não existem nos hipódromos mais civilizados. Haveria então três hipóteses. A 1ª seria mantê-las como apenas provas de grupo regionais, isto é, uma em São Paulo e outra no Rio, separadamente e sem projeções internacionais. A 2ª seria a eliminação delas, o que empobreceria muito a grandeza de nossos calendários clássicos. É a 3ª uma tentativa de uma tríplice-coroa feminina internacional, o que me parece muito difícil. No meu entender, servo melhor juízo, a 1ª hipótese, a de duas tríplices- coroas femininas regionais.

Mas esse assunto é para quem entende, palpites e opiniões todos os turfistas tem o direito de ter, mas as decisões são para os poucos que realmente sabem, que na verdade conhecem o assunto.

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