Como toda, e qualquer, atividade, o turfe também é marcado por tendências. Por vezes tais tendências dizem respeito a genética, seleção e desenhos de cruzamentos. Em outras, são as técnicas de treinamento, e criação, que acabam colocadas em evidência e, de uma maneira geral, restam perseguidas como norte comum, por profissionais e criadores. Há cerca de 3 anos, uma pauta vem sendo encarada, num tom globalizado, e a mesma mostrou-se capaz de esquentar, até mesmo, os bastidores e segmentos políticos diversos das corridas de cavalo, ao redor do mundo: a “guerra” contra os esteróides anabolizantes.
Norte-americanos, australianos e mais recentemente britânicos, através de suas autoridades máximas, em termos turfísticos, adotaram regulamentações de tolerância zero, quanto à utilização das referidas substâncias. E muito embora seja de conhecimento geral a potencialidade – negativa – da administração indiscriminada dos asteróides anabolizantes, os esforços normativos, no sentido de bani-los do turfe, ainda provocam temores, e algum desconforto, em determinados setores da indústria.
Ao final de junho, a British Horseracing Authority divulgou a sua nova política de combate à utilização de anabolizantes esteróides, que passará a vigorar a partir de 1º de janeiro de 2015. As novas normas, em termos gerais, visam extirpar qualquer utilização de anabolizantes, a qualquer tempo da vida do animal. Isso implica dizer que, nem mesmo a chamada “aplicação terapêutica”, ainda nos estágios de “formação” do cavalo, serão toleradas pela autoridade britânica. Para tanto, a punição firmada para os infratores da nova regulamentação compreenderá uma suspensão de 12 meses de treinamento para o animal deflagrado, e de 14 meses sem que o mesmo possa competir.
A BHA estabeleceu que os animais PSI situados no país estarão sujeitos a testes, independentemente de sua idade, ou localidade, sendo que o registro de tais animais deverá ocorrer em, no máximo, 12 meses a contar de seu nascimento – em 2 anos, tal prazo cairá para 6 meses. Já animais importados deverão ser “catalogados” em até 3 meses, contados de seu desembarque na Inglaterra, acompanhados de exames que atestem estarem os mesmos livres dos referidos hormônios. E neste vértice da questão repousa um dos pontos mais delicados quanto à nova regulamentação.
Tal ponto, com efeito, versa sobre os potenciais exportadores de PSI para o território britânico. O mercado norte-americano, por exemplo, poderia estar afetado, conforme destaca o site Paulick Report (clique aqui para conferir a matéria na íntegra). Destaque-se que as próprias agências promotoras de leilões, nos Estados Unidos, possuem políticas que visam coibir a utilização de determinados hormônios e substâncias (dentre os quais, esteróides anabolizantes), porém utilizando-se de prazos mais brandos para o exercício dos testes.
Nos bastidores das autoridades hípicas estadunidenses, as discussões, projetos de lei, e, principalmente, divergência de opiniões, quando o tema recai sobre a questão dos medicamentos, vêm provocando diversas idas e vindas nas possíveis alterações normativas locais, para o enfrentamento da questão. Os próprios debates acerca da utilização da furosemida criaram verdadeiros impasses no turfe nacional, e as movimentações para a elaboração de uma nova política junto à utilização de anabolizantes esteróides, são bastante tímidas.
Paralelamente à situação, ainda que não tratando especificamente de esteróides anabolizantes, o Thoroughbred Daily News publicou, em sua edição do último dia 26 de junho, uma coluna assinada por Bill Finley, que aborda a relação entre a utilização de medicamentos e a – falsa – noção de que os mesmos possibilitariam um maior número de inscrições dos animais. Na matéria, Finley utilizou-se de dados do The Jockey Club Fact Book – e a furosemida como parâmetro principal – a fim de ilustrar que a partir de meados da década de 1970, o número de atuações médias anuais de um cavalo nos Estados Unidos, passou a cair sequencialmente – coincidindo, assim, com a legalização da furosemida em 14 estados norte-americanos, no mesmo ano.
Finley destaca, ainda, que a média de animais inscritos em cada corrida manteve-se estável a partir de então, com um leve decréscimo em dias atuais. Nas linhas desenvolvidas pelo articulista do TDN também é mencionado o acréscimo do número médio de inscrições anuais de um cavalo, em países que adotaram políticas proibitivas de medicamentos, a partir de meados dos anos 90 – mais de 17% na Inglaterra, de 10% na França e de 12% em Hong Kong. A íntegra da matéria pode ser acessada aqui, na coluna de Finley entitulada Drugs = Fewer Starts = Less Money For The Owner.
Em suma, cada vez mais os organismos internacionais, responsáveis pelas corridas de cavalos, nos mais diversos países, acenam para aproximações, e desenvolvimento de trabalhos conjuntos. Não obstante, a adoção de um mesmo “caminho”, para o tratamento de uma mesma questão, ou problemática, tende a ser uma constante na gerência do esporte, a nível mundial. E, ao menos no que diz respeito à administração de medicamentos – com ênfase, agora, nos esteroides anabolizantes – o cerco, parece, estar se fechando.
Fonte: Site da ABCPCC

