A semana do G.P. Brasil é uma grande festa, a maior do turfe nacional. Muitos leilões e corridas, encontros e reuniões de turfistas de todo o pais. Em junho de 2014 não foi diferente. Entre as autoridades presentes, os presidentes e diretores da Associação Brasileira, e dos três outros mais importantes Hipódromos do país. E as notícias vieram boas.
O Jockey Club de Pelotas, desde que recebeu de volta do Ministério da Agricultura a carta patente que lhe tinha sido retirada em função de irregularidades diversas, e que com as falhas sanadas recebeu de volta a sua carta-patente, ressurgiu de modo adequado, superando as expectativas. A Diretoria cumpre semanalmente o seu plano de corridas, está sempre à cata de patrocínios, está sendo prestigiada pelos proprietários e turfistas. Como um Hipódromo menor, comporta-se muito bem, o Clube vai aos poucos melhorando. Os seus problemas maiores são o número de corredores, que ainda não são suficientes para um progresso maior com um número maior de páreos, e o antigo e maior problema dos Clubes promotores de corrida do país, que é representado pelas baixas dotações. Mas o Jockey Club de Pelotas vai bem.
O Jockey Club do Rio Grande do Sul talvez seja o Clube nacional promotor de corridas com o melhor equilíbrio econômico-financeiro. Cumprindo um audacioso, mas de pés no chão, vai aos poucos modificando o panorama turfístico do Clube, com as obras de alterações nas pistas, na construção de novos e modernos grupos de cocheiras, e ainda contando com o conseqüente recebimento de duas torres comerciais. Toda semana promove um programa com páreos cheios, da ordem de dez animais por páreo. O Presidente José Vecchio Filho e sua Diretoria estão salvando e ampliando os horizontes do Jockey Club do Rio Grande do Sul.
O Jockey Club de São Paulo trouxe boas novidades. Após ter reduzido um negativo da ordem de 550 milhões de reais para 220, isto é, no primeiro mandato da atual Diretoria ter havido uma diminuição nos compromissos da ordem de 330 milhões, encara agora nesse início de três anos do segundo mandato uma dívida com a Prefeitura paulista de 140 milhões de IPTU, imposto nunca pago pelas Diretorias anteriores pela sua total impossibilidade e pagamentos. O imóvel conhecido como Chácara do Ferreira, adquirido com os dinheiros das corridas, do turfe, e que após prestar ótimos serviços como Centro de Treinamento e de até em certa época como Posto de Monta, enquanto aguardava-se a construção do espetacular Posto de Monta de Campinas, na prática já está há mais de trinta anos desativado, obsoleto e até impossibilitado de ser vendido, já que a Prefeitura tem interesse em ficar com a área para nela implantar uma praça pública. E como o interesse da coletividade está acima dos particulares, o Jockey Club de São Paulo está negociando diretamente com o Sr. Prefeito, e as negociações vão bem, com uma recíproca boa vontade. A transferência da área para a Prefeitura já está aceita pelas partes, ficando apenas para acertar o valor do negócio. Nessa fase, já está convencionado que, se o valor for menor do que 140 milhões, a Prefeitura paulista parcelaria a diferença em seu favor em ritmo adequado e confortável para o Jockey Club de São Paulo. Quando concluída essa etapa, ficarão faltando cerca de 80 milhões de compromissos. É muito, mas para quem vem de 550 milhões, não é assustador. O Presidente do Jockey Club de São Paulo ainda informou que o Clube já adquiriu um novo partidor australiano, o mais moderno, nos moldes do já em prática no Jockey Club Brasileiro. Além disso, foi contratado um “leasing” de um moderno cromatógrafo, de última geração, que já está em São Paulo, e que logo em funcionamento fará entre outros os exames antidoping do Jockey Club de São Paulo e do Jockey Club Brasileiro, e ainda sobrará grande espaço para outros exames. Com essa prática, acabará de uma vez com essa mão de obra de mandar material para exames na França, pois os exames no laboratório paulista serão do mesmo padrão dos exames franceses. O êxito inconteste da atual Diretoria do Jockey Club de São Paulo irá para a história do turfe brasileiro. A única pergunta sem resposta efetiva ficou por conta de eventual aumento das dotações. Honestamente, o Presidente Eduardo da Rocha Azevedo informou que ainda não tinha uma solução, mas que ela continua em estudo.
O Jockey Club Brasileiro segue o seu colossal plano de investimentos. Ninguém duvida que daqui a dois anos, o Jockey Club Brasileiro estará com novas rendas paralelas e sem a Codere a sugar seus dinheiros. Mas o turfe carioca, apear das demonstrações nas vendas de potros da geração 2012 na arena de vendas e compras da Gávea está, assim como o turfe paulista, necessitando de amparo financeiro, isto é, de urgente melhoria nas dotações. Mas o calor humano e o clima festivo da semana do G.P. Brasil abriram um espaço de otimismo no ambiente até apreensivo ante o futuro do turfe brasileiro. Paulatinamente a cada ano a produção de potros diminui, há sempre éguas que nos leilões estão sendo desviadas da criação de cavalos de corridas para outros tipos de criações, de outras raças, vendidas por poucos tostões. Os turfistas mais equilibrados entendem o que está sendo feito nas administrações vitoriosas dos dois principais clubes promotores de corrida do país, mas as contas têm que ser pagas com dinheiro, e ele em nossa atividade, vêm das dotações dos páreos. Parece que já chegou à hora do turfe voltar a ser privilegiado.
