Desde quando a infelizmente extinta Sociedade de Criadores e Proprietários de Cavalos de Corrida de São Paulo fez renascer a prática de leilões, que não mais existiam em nosso país, surgiram em decorrência, com o natural aumento e presença de interessados em vender e comprar; surgiram agências. Liderada por São Paulo, vieram o Paraná, o Rio Grande do Sul e o Rio de Janeiro. Os usos e costumes naturalmente foram se adequando às modernidades, de forma não rígida, e os regulamentos chegaram a distorções na verdade inadequadas. Hoje em dia, e desde algum tempo, na arena de vendas e compras da Gávea sucedem-se os grandes leilões de potros, além daqueles enfocados em animais em treinamento. A força dos leilões cariocas deve-se principalmente aos turfistas do Rio de Janeiro, que além de participarem do mais forte turfe nacional já desde alguns anos têm uma ligação direta com a criação gaúcha. A maioria dos principais haras gaúchos é de propriedade de domiciliados na cidade do Rio de Janeiro, que não tendo condições apropriadas para a criação do puro-sangue de corridas em seu próprio Estado, implantaram no Rio Grande do Sul as suas fazendas de criação. Assim, o Rio Grande do Sul tem a maior força do P.S.I. Brasileiro, no que diz respeito à criação (cerca de 49,5% do país, principalmente no município de Bagé/Aceguá), nas corridas do Jockey Club Brasileiro e consequentemente privilegiando o turfe carioca com o melhor padrão de qualidade dos animais participantes das corridas na Gávea. Anualmente é no Tattersall da Gávea que são oferecidos, em média, os mais pretensiosos potros das novas gerações. Em São Paulo, por ocasião do G.P. São Paulo, a Associação Brasileira promove um grande leilão de produtos selecionados, e com isso tem também um importante ponto de vendas de potros. Os criadores ofertam os seus animais nessas duas praças. Naturalmente há leilões regionais, também importantes.
No que diz respeito às vendas em leilão que não de animais em treinamento e de produtos das novas gerações, os leilões de abril de animais em fase de criação, éguas cheias e vazias, produtos ao pé e desmamados, cavalos para a reprodução ou já garanhões, produtos desmamados (aproximadamente entre 6 e 12 meses); há dois grandes e importantes no mês de abril. Esses leilões são fundamentais para a evolução da criação brasileira. Se por um lado os criadores menos fortes estão erradamente diminuindo os seus plantéis, aqueles que sabidamente acreditam em próximo futuro muito melhor para o turfe brasileiro, os que inteligentemente enxergam mais longe, seguem investindo na criação, inclusive importando em sistema de “shuttle” garanhões de importância internacional. Ante essa situação, com alguns dos grandes contando com plantéis de mais de 100 éguas, e em decorrência tendo que abrir espaço para a necessária renovação anual. Por isso, grandes haras brasileiros oferecem nos meses de abril éguas de muito boa qualidade, mas que já produziram muitas fêmeas, e produtos desmamados que em outras condições não seriam oferecidos. É um problema de fato, há que serem oferecidos potros e potrancas de ótimas linhagens e conformação física. Na prática, com a pálida afluência de interessados nacionais, os preços ficam irrisórios, e chamam o interesse de criadores de outros países. Já tradicionalmente, há dois leilões abertos nos meses de abril, o exclusivo do Haras Santa Maria de Araras, e convidados (em 2014 foram 3), e o aberto. Os uruguaios, que nos últimos recentes anos têm frequentado esses dois leilões, comprando timidamente de um modo geral, em 2014 mostraram-se mais participativos, e chegaram a levar produtos das novas gerações com ótimos potenciais e pedigrees de primeira linha, e ainda éguas importantes. Além desse detalhe, há que se observarem alguns aspectos. O leilão geral de criação do Haras Santa Maria de Araras, o grande líder nacional, em função dos resultados dos últimos anos e da qualidade oferecida e abril de 1014, obteve um resultado, já publicado, que deve ser entendido como razoável. Os preços obtidos ficaram aquém do verdadeiro valor médio, mas digamos que o resultado foi aceitável, nas circunstâncias. Já no leilão equivalente, o geral praticado uma semana depois, o resultado não foi bom, nem mesmo razoável, foi na prática um leilão para os compradores, que compraram o que quiseram por preços em certos casos completamente fora da realidade. Veja-se por exemplo a liquidação dos animais do Haras Santa Ana do Rio Grande, com um volume total de 380 mil reais um preço médio de 21 mil, e isso em 15 parcelas mensais iguais e sem juros. Produtos recém-desmamados, outros de 1 ano e meio hípicos, éguas de cria da melhor base cri acional, e por preços completamente inadequados. Também ruim foi o resultado da oferta de produtos a completarem 2 anos em 01/07/14. No leilão Araras e no geral, foram oferecidos respectivamente 35 (20 machos e 15 fêmeas) e 25 (6 machos e 19 fêmeas), em total de 60 produtos (26 machos e 34 fêmeas), todos por preços baixos, alguns até ridículos. Abriu-se na prática um novo campo de comercialização. Criadores que não obtêm resposta financeira adequada nas suas vendas podem pelo menos em parte reduzir os seus plantéis de éguas e comprar produtos do excesso dos grandes haras para revendê-los mais tarde, por preços evidentemente melhores. Os uruguaios foram mais eficientes, e compraram muito bem.
Enquanto não se efetivarem as boas perspectivas dos três mais importantes clubes promotores de corridas de nosso país, a não ser que sejam conseguidos aumentos de prêmios fora das previsões orçamentárias, em esforços difíceis, mas necessários, o turfe brasileiro vai ter que aguardar novos tempos, pois as implantações de futuras fontes de receitas não são para agora. E em raciocínio não delirante, de pés no chão, para que se retorne aos tempos de dotações adequadas as atuais teriam que ser dobradas. No futuro, no caso do Jockey Club Brasileiro, por exemplo, haverá renda de escritórios e lojas implantadas na hoje obsoleta sede social (por muitos conhecida como Mausoléu do Turfe), e também e principalmente da presença da PMU (Paris Mutual Urbain) com a sua tecnologia no setor de capacitação de apostas. O futuro é risonho, mas há que se chegar até lá. Ai eu pergunto, os criadores médios e pequenos suportarão por muito mais tempo a incômoda situação que já vem de longe? Suportarão por muito mais tempo os proprietários a perversa relação custo/benefício, com dotações tão aviltadas?
As más condições vão certamente serem substituídas por um futuro muito promissor, mas e para chegar até lá? Com tudo isso, ainda estamos bem, pois os três principais clubes promotores de corridas do Brasil estão em boas e confiáveis mãos, em clima de boas administrações e transparências.
Os leilões de produtos da nova geração, a 2012, vão ser leiloados a partir da semana do G.P. São Paulo, e depois vão para a do G.P. Brasil e daí normalmente até novembro. Como sempre teremos haras colhendo resultados insatisfatórios e outros, aqueles que estão vencendo nas pistas, resultados satisfatórios. Mas isso é pouco, todos os criadores precisam do incentivo de bons resultados nos leilões, e um dos principais detalhes que norteiam o interesse dos compradores é das dotações, pois não é engraçado pagar-se um preço alto por um potro sem que ele tenha sequer uma boa probabilidade de se pagar.
Em genérica análise, os melhores haras estão com excesso de produção, e não estão encontrando receptividade nos haras menores. Na verdade não é sobra, é excesso de produção, e o que sai dos haras melhores constituem-se de um modo geral em matérias de primeira para os haras menores. Os haras menores não estão sequer absorvendo o excesso de garanhões e/ou bom corredores dos haras principais. Estão ai, como simples exemplo, Aerosol, Round Hill, Quatro Mares, Flymetothemoon, Sal Grosso, e muitos outros.
Há que haver um melhor aproveitamento dos excedentes, cavalos, éguas, potros e potrancas, para o turfe brasileiro, cujos hipódromos estão carecendo de número adequado de corredores.
