Não poderíamos deixar de falar sobre dois grandes craques para encerrar a saga de relembrar campeões históricos do GP Brasil.
Ao longo das últimas décadas, muitos campeões passaram pela raia da Gávea, mas poucos conseguiram unir talento, carisma e impacto histórico como Bal A Bali e Obataye. Em gerações diferentes, ambos transformaram-se em referências do turfe nacional e podem ser apontados como dois dos maiores craques brasileiros do século XXI.
Quando se fala em excelência nas pistas, o nome de Bal A Bali surge naturalmente. Em 2014 conquistou a Tríplice Coroa carioca e coroou sua campanha perfeita com a vitória no Grande Prêmio Brasil, tornando-se o primeiro animal de três anos a vencer a principal prova do turfe nacional desde a mudança do calendário da corrida. Além do GP Brasil, estabeleceu recordes e foi eleito Cavalo do Ano, consolidando-se como um dos maiores corredores produzidos no país neste século.
Porém, a trajetória de Bal A Bali vai além das vitórias. Nos Estados Unidos, enfrentou uma grave crise de laminite, enfermidade que ameaça a vida de muitos cavalos. Contra todas as expectativas, sobreviveu, voltou às pistas e ainda conquistou importantes provas de Grupo 1 em solo norte-americano, transformando sua história em um exemplo de superação admirado internacionalmente.
Dez anos depois, outro potro surgiu para repetir o feito. Em 2024, foi a vez de Obataye entrar para a galeria dos imortais da Gávea. Vencedor do Grande Prêmio Paraná e com excelentes atuações em provas de Grupo 1, apresentava-se como um dos líderes de sua geração.
Na hora da verdade, mostrou toda a sua categoria. Conduzido por João Moreira, correu com tranquilidade durante grande parte do percurso e, na reta decisiva, produziu uma atropelada poderosa para conquistar o GP Brasil.
A consagração internacional veio no Gran Premio Latinoamericano, a mais importante competição entre países da América do Sul. Reunindo os melhores corredores do continente, a prova exige não apenas qualidade, mas também maturidade e capacidade de adaptação. Obataye mostrou tudo isso. Correndo contra adversários de diferentes escolas turfísticas, confirmou sua classe e conquistou uma vitória histórica para o turfe brasileiro, elevando seu nome a um novo patamar.
Mas, o melhor ainda estava por vir.
Meses depois, o campeão brasileiro desembarcou na Argentina para disputar o tradicional Gran Premio Carlos Pellegrini, a corrida mais prestigiada do turfe argentino. Vencer o Pellegrini significa entrar para uma galeria reservada aos verdadeiros fenômenos das pistas, cavalos que marcaram época e deixaram seu nome gravado na história do continente.
Diante de um público apaixonado e de alguns dos melhores corredores da América do Sul, Obataye voltou a demonstrar toda a sua categoria. Com a serenidade dos grandes campeões, aguardou o momento decisivo para lançar sua atropelada e cruzar o disco de chegada em primeiro lugar, conquistando uma das vitórias mais importantes já alcançadas por um cavalo brasileiro no exterior.
A sequência formada por Grande Prêmio Brasil, Latinoamericano e Carlos Pellegrini colocou Obataye entre os maiores representantes da criação nacional neste século. Mais do que um campeão de geração, tornou-se um embaixador do turfe brasileiro, levando a bandeira do país ao topo das principais competições sul-americanas.
Por tudo o que fizeram nas pistas e pela importância que tiveram para o turfe brasileiro, Bal A Bali e Obataye permanecem como dois dos maiores craques do século XXI, campeões que ajudaram a manter viva a grandeza do Grande Prêmio Brasil e que continuam inspirando novas gerações de turfistas.

por Matheus Peres – fotos: Arquivo JCB & Sylvio Rondinelli
N.R.: Matheus Peres é jornalista e narrador oficial das corridas do Hipódromo da Gávea. Filho do treinador gaúcho, radicado no turfe carioca, Daniel Peres, Matheus tem toda uma vida ligada ao turfe e terá uma coluna semanal no site do Jockey Club Brasileiro.
