O turfe sempre foi sinônimo de tradição, elegância e grandes fortunas. Dos hipódromos britânicos do século XVIII aos modernos do Oriente Médio, as corridas de cavalos evoluíram não apenas em espetáculo, mas também em cifras. Hoje, algumas provas distribuem prêmios que rivalizam com os maiores eventos esportivos do planeta e revelam como o esporte se globalizou, tornando-se estratégico para países que investem pesado em imagem e entretenimento.
No topo absoluto dessa lista está a Saudi Cup, realizada em Riad, na Arábia Saudita. Com uma premiação total de US$ 20 milhões, sendo cerca de metade destinada ao vencedor, a prova tornou-se a mais rica do mundo. Criada recentemente, ela simboliza a nova geografia do turfe: o centro financeiro das grandes bolsas deixou de estar exclusivamente na Europa e nos Estados Unidos e passou a incluir com força o Oriente Médio.
A Saudi Cup 2026 será disputada no próximo sábado, às 20h40 no horário local, sendo 14h40 no horário de Brasília. O espetacular cavalo japonês Forever Young, atual campeão, está anotado novamente e buscará o bicampeonato. O craque de Susumu Fujita, criado pela Northern Farm, terá de enfrentar 13 concorrentes: Sunrise Zipanou (JPN), Haqeet (EUA), Banishing (EUA), Ameerat Alzamaan (GB), Star Of Wonder (EUA), Nevada Beach (EUA), Tumbarumba (USA), Bishops Bay (EUA), Luxor Cafe (USA), Rattle N Roll (EUA), Nysos (EUA), Mhally (GB) e Thundersquall (GB).
Confira o replay da Saudi Cup 2025
Empatando em valor total está o australiano The Everest, também com US$ 20 milhões em premiação. Disputada em Sydney, a corrida é a mais rica do mundo na grama e mostra a força da Austrália no cenário internacional. O país, aliás, consolidou-se como uma potência no turfe moderno, combinando tradição, público fiel e prêmios milionários.
Um fato curioso e interessante é a divulgação das balizas, geralmente realizada a noite no Porto de Sydney, com um show de drones. Confira a matéria:
Durante muitos anos, o posto de corrida mais rica do planeta pertenceu à Dubai World Cup, que hoje oferece US$ 12 milhões. Mesmo superada em cifras, continua sendo uma das provas mais prestigiadas do calendário internacional. Realizada no impressionante hipódromo de Meydan, ela simboliza o glamour e a ambição dos Emirados Árabes Unidos no esporte.
Obviamente lembramos aqui da fantástica e histórica vitória do craque Glória de Campeão em 2010. O cavalo do Haras Estrela Energia foi conduzido por Tiago Josué Pereira.
Relembre a incrível vitória
Ainda na Austrália, o Golden Eagle distribui cerca de US$ 10 milhões, enquanto a lendária Melbourne Cup, conhecida como “a corrida que para uma nação”, mantém seu status histórico com aproximadamente US$ 8 milhões em prêmios. A Melbourne Cup talvez não seja a mais rica, mas poucas competições no mundo carregam tamanho peso cultural.
Em 2025 cerca de 80.000 pessoas estiveram presentes no Hipódromo de Flemington para acompanhar a Melbourne Cup. A corrida foi vencida por Half Yours, na condução da joqueta Jamie Kah, que tornou-se a segunda joqueta campeã da Melbourne Cup, seguindo os passos de Michelle Payne em 2015.
Melbourne Cup 2015
Melbourne Cup 2025
Nos Estados Unidos, o grande destaque é a Breeders’ Cup Classic, com US$ 6 milhões em premiação. Ela integra um festival que reúne a elite do turfe norte-americano e internacional, funcionando como uma espécie de campeonato mundial da modalidade.
Outras provas também figuram entre as mais valiosas do planeta, como a Dubai Sheema Classic, a japonesa Japan Cup e o tradicionalíssimo Arima Kinen (assista Assumindo as rédeas, na Netflix), cada uma com bolsas próximas de US$ 6 milhões. Na Europa, o icônico Prix de l’Arc de Triomphe, em Paris, segue como referência de prestígio esportivo, ainda que sua premiação, em torno de US$ 5 milhões, fique abaixo das cifras mais recentes do mercado.
O que esses números revelam é mais do que competição esportiva: mostram uma disputa global por protagonismo. Países utilizam o turfe como vitrine internacional, impulsionando turismo, apostas, investimentos e projeção de marca. As grandes bolsas atraem os melhores cavalos, treinadores e jóqueis do mundo, elevando o nível técnico e a audiência global.
No fim das contas, as corridas mais valiosas do mundo representam a interseção entre tradição e poder econômico. O espetáculo permanece o mesmo: velocidade, estratégia e emoção na reta final. Porém, os valores em jogo nunca foram tão altos. No turfe contemporâneo, correr rápido é importante; correr por milhões, ainda mais.
por Matheus Peres
N.R.: Matheus Peres é jornalista e agora narrador das corridas do Hipódromo da Gávea. Filho do treinador gaúcho, radicado no turfe carioca, Daniel Peres, Matheus tem toda uma vida ligada ao turfe e terá uma coluna semanal no site do Jockey Club Brasileiro.
