Entre as muitas pelagens que encantam admiradores do mundo equino, especialmente nas corridas, a tordilha ocupa um lugar diferente. Nos hipódromos, os cavalos tordilhos chamam atenção não apenas pela velocidade, mas também pela estética sem igual. Essa pelagem, marcada pela mistura de pelos brancos e escuros, cria efeitos visuais que vão do discreto ao deslumbrante, tornando cada animal verdadeiramente único.
Os tordilhos destacaram-se na última semana de corridas no Hipódromo da Gávea, desfilando qualidade e elegância. Na programação de domingo, Olympic Park (foto acima) abriu os trabalhos ao vencer o 1º páreo, enquanto o encerramento da reunião ficou por conta de Rip do Iguassu (foto de capa da matéria). Ambos herdaram a pelagem tordilha de seus pais, Outstrip e Kentuckian, respectivamente.

Já na noite de segunda-feira, Verão Carioca (foto acima) desfilou sua beleza na disputa do 4º páreo. Logo depois, no 7º páreo, Novikov também mostrou a força dos tordilhos.
Embora a pelagem não determine desempenho, vários cavalos tordilhos se destacaram no turfe brasileiro e mundial. Dentro da pista são admirados pela presença imponente. Há quem diga ainda que os tordilhos correm melhor na pista encharcada, mas não passa de um mito ou superstição.
A característica mais fascinante do tordilho é o fato de que nenhum deles permanece igual durante toda a vida. Nascem normalmente mais escuros e vão clareando progressivamente com a idade. Essa transformação natural faz com que muitos tordilhos se tornem quase inteiramente brancos na maturidade, embora preservem as nuances de sua cor original.
A presença de garanhões tordilhos no Brasil faz aumentar o rebanho de animais dessa pelagem, que ainda representa um pequeno percentual. No entanto, o gene G (Grey) é dominante, então seus filhos tendem a ser na maioria tordilhos. Quem sabe não poderemos ter novamente o tradicional handicap de tordilhos em algum hipódromo, que era disputado todo ano no Hipódromo do Cristal.
Fato é que os tordilhos abrilhantam o espetáculo, chamando atenção principalmente daqueles que os vê pela primeira vez, certamente o escolhendo para torcer ou apostar.
No contexto geral, cavalos de corrida de pelagem tordilha apresentam o mesmo potencial atlético de outras pelagens, mas destacam-se pela identidade visual única.
Seja em movimento, cruzando o disco com vigor, ou simplesmente caminhando pela raia com serenidade, os tordilhos permanecem entre os mais cativantes representantes da beleza equina.
Por Matheus Peres– fotos: Sylvio Rondinelli
N.R.: Matheus Peres é jornalista, tem toda uma vida ligada ao turfe – filho do treinador gaúcho, radicado no turfe carioca, Daniel Peres – e terá uma coluna semanal no site do Jockey Club Brasileiro.
