O Grande Prêmio Bento Gonçalves (G2) foi a principal atração turfística da última semana no Brasil. A corrida mais tradicional do Rio Grande do Sul ficou marcada por uma chegada eletrizante, que fez acelerar o coração de quem acompanhou de perto a história ser escrita por Único Lô.
O cavalo tornou-se um dos nomes históricos do turfe gaúcho, pois também foi Tríplice Coroado em 2024 e campeão do GP Protetora do Turfe em 2025, ou seja, tem em seu currículo as principais provas gaúchas.
No entanto, para conseguir alcançar triunfos relevantes, Único Lô conta com o treinamento de um dos profissionais mais experientes do turfe nacional. O treinador Neimar Canut, de 85 anos (na foto, segurando o cavalo, de óculos escuros e boné branco), que conhece o animal como ninguém e sabe exatamente o que precisa ser feito para que Único Lô demonstre dentro da pista tudo o que sabe. Neimar soma inúmeras conquistas expressivas e comprova que a idade é somente um número, exalando competência e disposição para treinar cavalos de corridas.
Dentro da pista, detalhes e pequenos movimentos também fizeram a diferença. Para quem não sabe, o cavalo quando está em movimento na corrida utiliza um dos membros dianteiros como referência e durante o percurso “troca de mão” algumas vezes. Por exemplo, se faz uma curva para a esquerda, utiliza a “mão” esquerda como referência, e vice-versa.
Na disputa do GP Bento Gonçalves, o jóquei C. Farias fez Único Lô trocar de mão algumas vezes, principalmente na entrada da reta final. Claudinei Farias soube exatamente o momento certo de fazer o movimento, deixando Único Lô confortável para desenvolver seu melhor e superar o rival em duelo histórico.
O jóquei precisa apenas de precisão e técnica para ajustar através das rédeas o seu pilotado, sem precisar utilizar-se do chicote para alertar ou exigir de alguma forma desconfortável.
São diversos fatores em um curto espaço de tempo que fazem a diferença. Detalhes estes que às vezes passam despercebidos ou para aqueles que assistiram a corrida pela primeira vez nem imaginam a complexidade do que acontece dentro e fora da pista para alcançar o objetivo.
Único Lô é de criação do Haras Capela de Santana, de Flávio Obino Filho, que costuma batizar seus animais em homenagem aos filhos. Nesse caso, “Lô” faz referência a Lorenzo. Em outros animais, como Rei Vi, é menção ao Vicente.
O proprietário Luiz Henrique Flores dos Santos estava com passagem comprada desde o início do ano para o exterior, sem imaginar que poderia conquistar tal feito.
A vitória de Único Lô ficará marcada para eternidade, guardada na memória daqueles que tiveram o prazer de assistir uma corrida emocionante, que marca o reinado de um dos maiores cavalos que já passaram pelo Hipódromo do Cristal.
Por Matheus Peres– fotos: Karol Loureiro
N.R.: Matheus Peres é jornalista, tem toda uma vida ligada ao turfe – filho do treinador gaúcho, radicado no turfe carioca, Daniel Peres – e terá uma coluna semanal no site do Jockey Club Brasileiro.
