Foi em 1959 que Escorial(foto) sagrou-se tríplice-coroado. Ele era um ótimo corredor, e contava com a experiência e a estratégia dos irmãos Roberto e Nelson Grimaldi Seabra. Naquela geração, havia vários outros excelentes corredores de padrão clássico, e um bom e eficiente planejamento das corridas se impunha. Além de Escorial, o Stud Seabra contava ainda com os ótimos Lohengrin, Cáucaso e Emoción, entre outros. Na milha, a excelente Clareira (Haras Vargem Grande) apresentou uma brilhante performance que lhe deu um brilhante 2º lugar (àquela época não havia tríplice-cora só para as potrancas). Lohengrin serviu de faixa para Escorial, chegando em 3º. Escorial, sempre com o mestre Irigoyen, corria colocado para um bom arremate na reta final. Na 2ª prova, o espetacular milheiro Gaudeamus (Haras São Bernardo) participou dos 2.400 metros. Como sempre o impetuoso Gaudeamus, foi para a ponta, com Emoción disparando atrás dele, e visivelmente Rigoni, na égua, estimulava a possível maior aceleração de Gaudeamus. Passado o primeiro terço da corrida, Emócion deu por encerrada a sua missão, sendo imediatamente substituída por Lohengrin, com Luiz Diaz, que acelerou Guadeamus enquanto possível. Àquela época, nos grandes
prêmios, era permitida a participação de até três corredores da mesma propriedade. Emoción, o primeiro “coelho” era ganhadora do G.P. Diana, e Lohengrin veio a ser o recordista dos 2.400 metros, à época a distância da 2ª prova. Na entrada da reta, Escorial arrancou e tomou a ponta, enquanto Lohengrin conseguiu o 2º lugar por diferença mínima sobre Gaudeamus. Na 3ª prova, em 3.000 metros, embora completamente fora de suas naturais aptidões, Gaudeamus voltou a enfrentar Escorial. Na longa distância, como sempre um companheiro de Escorial dava caça a Gaudeamus, mas no final, Escorial repetiu as duas performances anteriores e venceu, sagrando-se um brilhante tríplice-coroado, e Gaudeamus, graças ao seu extraordinário poderio, o de um possante milheiro praticamente imbatível (não correu os 1.600 metros da 1ª prova), perdeu o 2º para o ótimo Xaveco (Haras Mondesir), que corria para uma atropelada final.
O jóquei de Gaudeamus era Gastão Massoli, contratado pela Baronesa Leithner (Haras São Bernardo). Sempre foi um jóquei diferenciado, pois tinha condição financeira melhor (o pai dele era um criador). Sempre bem apresentado, educado, e com mais estudo que os demais, Massoli acabou sendo contratado pelo Jockey Club de São Paulo, para professor da Escola de jóqueis do Jockey Club de São Paulo, e durante muitos anos cumpriu otimamente a sua missão. Muitos dos bons jóqueis de Cidade Jardim devem a Gastão Massoli os seus sucessos, moldados em caráter de disciplina, de técnica de montar, de filosofia de vida. Os anos se passaram, e a Comissão de Corridas do Jockey Club de São Paulo entendeu de colocar junto aos Diretores julgadores dos páreos, um profissional de confiança, do Clube e dos profissionais, como consultor experiente. O nome de Gastão Massoli foi acolhido sem restrições, e ele passou a colaborar para o necessário melhor entendimento possível do desenrolar dos páreos. Com o tempo, com o sucesso da iniciativa, qual seja, consultor com experiência e confiável, mas sem direito a voto, foi convidado mais um ex-jóquei de sucesso, habitual ganhador de provas nobres. Os dois consultores e colaboradores mantiveram através dos anos um ótimo padrão, em muito colaborando com os Diretores. Conheciam bem os profissionais, e contavam com a confiança geral. Após alguns anos, foi composto um trio, já que sempre há eventuais impedimentos, férias, etc., e a Comissão de Corridas deseja e tem que manter uma filosofia de julgamentos, uma linha de conduta, um entendimento uniforme. Passou a integrar o grupo o eficiente Gabriel Menezes. E com esses bons três jóqueis o setor de julgamentos das corridas de Cidade Jardim são justos e uniformes. Gastão Massoli, José Alves e Gabriel Menezes são respeitados pelos Diretores e pelos profissionais, à base de competência e seriedade.
Mas a vida não é estática, é dinâmica, e há contínua mutação nos acontecimentos. O confiável, competente e amigo José Alves, vítima de uma pertinaz leucemia, morreu no terceiro trimestre de 2013. Massoli e Menezes seguiram, enquanto a Comissão de Corridas tentava a contratação de um determinado terceiro nome, mas que sempre relutava em atender os convites. Afinal, no sábado dia 15 de fevereiro de 2014, assumiu como terceiro consultor o ex-líder de estatísticas Albenzio Barroso. É uma figura mais do que conhecida no turfe brasileiro, que começou a sua vida profissional na Gávea, e posteriormente, já como jóquei de sucesso, transferiu-se para Cidade Jardim, onde foi líder das estatísticas por cerca de 20 anos. Albenzio Barroso é mais um ponto positivo na Comissão de Corridas do Jockey Club de São Paulo.
Massoli, Menezes e Barroso, com os seus profundos conhecimentos da arte de montar, íntegros e merecedores da confiança geral neles depositada, dão uma uniformidade no entendimento das corridas, e dão um padrão que supera eventuais diferenças de enfoques entre os Comissários que semanalmente entram e saem dos plantões de fiscalização e julgamento dos páreos.
