Remédio tardio?, por Milton Lodi » Jockey Club Brasileiro - Turfe

Remédio tardio?, por Milton Lodi

          O turfe brasileiro passa por um  momento incomum. Os três principais clubes promotores de corridas estão em boas mãos, com as finanças bem conduzidas, e em fases de visíveis melhoras. Já é do conhecimento público que em março de 2014 ocorrerá à eleição por aclamação da Diretoria do Jockey Club de São Paulo, já que os expressivos resultados obtidos no mandado de três anos ensejaram a não apresentação de chapa oposicionista. Do enorme passivo encontrado, boa parte em cobranças, e foi necessária muita coragem, competência e dedicação para, de 2011 a 2014, reduzir o déficit em cerca de 60% e ainda colocar os restantes 40% em condições de uma liquidação em razoáveis termos. Embora o êxito tenha sido de enorme grandeza, continuou a haver os eternos insatisfeitos, os reclamadores de plantão, muitos deles até desejosos de participar da vitoriosa Diretoria, mas que dela não participam por haver nomes mais adequados, enfim, há sempre os discordantes. Mas esses não registraram uma chapa oposicionista. Assim o Presidente Eduardo, como já estava previsto há mais de um ano, continuará com a sua Diretoria a comandar o Jockey Club de São Paulo até março de 2017. E isso é a garantia de que o Clube vai voltar ao seu antigo esplendor. Mas tem-se que admitir que, para que fosse alcançado o sucesso, alguns setores tiveram que sofrer sacrifícios, dentre eles o mais importante, a razão de ser do Clube, o do turfe, com indesejados reflexos nos criadores e nos proprietários. O detalhe fundamental desse sacrifício e a baixa distribuição dos prêmios, para que se tenha uma ideia, para o turfe voltar a dar dotações equivalentes e necessárias dos bons tempos idos, os prêmios deveriam ser dobrados. É claro que se alguma coisa a respeito fosse possível, já teriam sido tomadas as referentes providências, mas a colossal herança maldita recebida de diretorias anteriores deixou o Clube em aflitiva situação econômico-financeira. Certamente, logo que possível, o Jockey Club de São Paulo resolverá esse problema, mas não é para já.

                No caso do Jockey Club Brasileiro, ocorre uma situação distinta. A atual Diretoria, com mandato de maio de 2012 a maio de 2016, encontrou o Clube com uma diretriz errada, enveredando por um caminho contrário aos interesses do quadro social. A sede social no centro da cidade estava ao abandono, envelhecida, necessitada de cuidados urgentes no tocante a tubulações já com muitos vazamentos e sistema elétrico sem a necessária segurança. Problemas estruturais como precariedade dos elevadores, refrigeração do prédio por andar e não por setor, suntuosidade exagerada prejudicando um racional aproveitamento dos espaços, retirada de benesses anteriores de aumento das diárias no estacionamento, enfim, um clima de prático abandono de melhorias. Na área do Hipódromo, o chamado Clubinho da Lagoa não estava atendendo os desejos dos usuários. Todos os setores de lazer, como piscinas, quadras de tênis, e de esportes, todos os setores careciam de cuidados. Nas Vilas Hípicas, houve até a tentativa de transformar parte dele em prédios de escritórios. De um modo geral, o descontentamento resultou em uma eleição em 2012 onde as nove urnas de votos deram cada uma a vitória da então Oposição, liderada pelo engenheiro Palermo. Algumas coisas boas realizadas pela Diretoria anterior como, por exemplo, a reconstrução da pista de grama e o nono partidor, foram largamente sobrepujados pela atual Diretoria. A sede social foi interditada, principalmente por falta de segurança, e aprovado um plano de revitalização do edifício, que devera, no primeiro trimestre de 2016, apresentar uma sede nova, moderna, mais confortável, mais bonita, e sobretudo bem rentável. No Clubinho da Lagoa já há mais piscinas, mais quadras de tênis (inclusive uma quadra de padrão internacional fixa para seis mil espectadores), área de lazer especial para crianças, e na verdade é um novo setor de lazer. No Hipódromo, foi sepultada a ideia de inicio de loteamento de áreas das Vilas Hípicas, que estão sendo recuperadas. Novos sistemas elétricos/eletrônicos foram implantados, o Clube já mostra evidentes sinais de modernização. É claro que sempre surgem problemas a serem resolvidos, mas a satisfação da grande maioria do quadro social com a atual Diretoria dá para se ver que, com mais trabalho e boas realizações que nos anteriores 12 anos, e isso antes de completar a metade de seu mandato, tudo indica que em 2016 o turfe brasileiro assistirá a uma nova reeleição por aclamação. É uma administração merecedora de todos os aplausos, mas quanto tempo mais os criadores e proprietários terão que esperar pela necessária boa melhoria nos prêmios? A alta eficácia da administração atual é incontestável, o sucesso é visível, mas na prática os criadores e proprietários já ultrapassaram os seus limites de carências.

                Quanto ao Jockey Club do Rio Grande do Sul, nesse segundo mandato da administração Vecchio, o Clube passa por uma fase de grandes realizações, após a consolidação do setor financeiro. No momento e já de algum tempo, o Clube vem se recuperando de desastrosas administrações, e, em função de permuta imobiliária anterior, vai iniciar a entrega da área a atual Vila Hípica por duas torres comerciais, e a implantação de uma nova e moderna Vila Hípica. E ainda uma completa reutilização das pistas.

                Como se pode ver, os três clubes estão sendo muito bem administrados, deve-se admitir que, nos próximos dois anos, já poderemos ter um turfe brasileiro forte, e distribuindo dotações compatíveis com os gastos (custo/benefício). No caso do Presidente Vecchio, por estar em seu segundo mandato ele não poderá permanecer na Presidência, por isso impõem-se um simples revezamento de posições, mantendo-se assim a qualidade administrativa.

                Todo esse aspecto positivo das três ótimas administrações tem, paralelamente, um sério problema. Os criadores e os proprietários estão exauridos, financeiramente as perdas são grandes e em muitos casos irrecuperáveis, e mais um ou dois anos de semi-estagnação das dotações representa enorme problema. No âmbito nacional as dotações já ultrapassaram os limites de carências, e no internacional são irrisórias. Há que haver uma solução a curtíssimo prazo. Ainda bem que o turfe brasileiro está em boas mãos, que certamente não permitirão que o remédio para o problema, isto é, mesmo pequeno mas repetidos aumentos das dotações venham dar vida nova e/ou novos horizontes e esperanças para aqueles que movem o turfe.

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