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Cultura às avessas, por Milton Lodi

Um bom e conceituado jornalista esportivo deu conta de que, nos Estados Unidos, o futebol americano, o baseball e o basquete, não têm controle antidrogas.

No caso do futebol norte-americano, que é um jogo com planos até militares de ataque e defesas, os jogadores, muito grandes e muito fortes como resultados de anabolizantes e medicações paralelas, ainda jogam com armaduras, pois a violência tem como consequências naturais impactos que resultam em fraturas e machucados até muito graves. É um jogo que agrada a milhões de desportistas, e o jogo final de cada campeonato atrai multidões e televisionamento internacional. O fato da natural decorrência de aleijados é entendido como inevitável.

No baseball, que consiste em um jogador, com um bastão, bater em uma bola atirada por um adversário e jogá-la longe. Se a bola cair fora do estádio, a jogada é considerada espetacular. Vigor e força são considerados fundamentais na prática desse esporte, que já foi algumas vezes ridicularizado com a figura de um grande e forte macaco, um orangotango, de boné, segurando em uma das mãos um tacape.

No basquete, a altura dos jogadores é fundamental em função da altura da cesta, que no campeonato dos profissionais é mais alta que na regra comum, pois quem tem menos de 2 metros de altura dificilmente pode participar de um dos melhores times. Além disso, os jogadores são fortes e ágeis, verdadeiros superatletas e que são ainda medicados para correr de uma tabela à outra, atacando e defendendo, tendo ainda que acertar a bola na cesta. A qualidade desses atletas é de tal ordem que há nos Estados Unidos regras especiais nos confrontos domésticos, como por exemplo, uma distância maior da cesta para a linha arremesso dos 3 pontos. Não há dúvidas quanto a um espetáculo de alto padrão, mas para isso os jogadores são super medicados, dopados mesmo, com medicação especializada e permitida. Essa forma de interpretar competições esportivas, trocando técnica por brutalidade, é uma forma de cultura. Enquanto se multiplicam os casos de invalidez e de aleijados, os estádios continuam cheios. Em competições internacionais dentro das regras oficiais, o país é representado quase sempre pela ótima seleção universitária. Quando o time profissional joga partidas internacionais, enquadra-se nos regulamentos, passando por um período de adaptação. Essa cultura de excessiva medicação já está disseminada por todo o país. E naturalmente inclui o Esporte dos Reis, o das rédeas. O lema é drogas e dólares, ou dólares e drogas. A grande maioria dos corredores nos Estados Unidos tem, em média, cerca de metade do número de provas disputadas que a da Austrália, por exemplo. Nos Estados Unidos é comum a referência ao fenômeno canadense Northern Dancer, que só correu aos 2 anos e 3 anos de idade, e mais de 45 vezes, o que dá quase um páreo a cada duas semanas. Outros exemplos são muitas vezes citados, mas o que ocorreu com a grande maioria dos corredores não é o que aconteceu, por exemplo, com Drosselmeyer, que após duas de suas significativas vitórias, na 3ª prova da tríplice-coroa (Belmont Stakes) e na Breeder’s Cup Classic, teve interrompida a sua participação em corridas e foi para a reprodução.

A maioria dos corredores norte-americanos estão espalhados por cerca de 125 Hipódromos, e correm sob tratamento intensivo de drogas. Um dos muitos veterinários que trabalham diariamente atendendo os corredores é um brasileiro, formado pela Faculdade de Veterinária de Viçosa (MG), que esteve no Brasil para visitar a família e passou um fim de semana assistindo corridas no Hipódromo da Gávea. Ele contou que trabalha em um clube promotor de corridas menor, e que seu trabalho consiste em medicar diariamente 50 cavalos que estão em corrida. No dia da corrida, após o páreo, se o cavalo não for medicado, não consegue andar no dia seguinte, e as medicações diárias visam mantê-lo em condições de correr a cada 15 dias. Assim como ele, há muitos outros veterinários espalhados pelos outros Hipódromos com a mesma prática. Nós, do turfe brasileiro, nada teríamos a ver com isso, não fosse o fato de que, de vez em quando, um desses rebotalhos é importado para ser garanhão no Brasil.

Infelizmente um expert internacional dos conhecimentos do fantástico John Aiscan não existe mais, um técnico que após ir conhecer o famoso Secretariat, foi conhecer os garanhões do Haras em que estava Bold Ruler. Após examiná-lo, aproveitou para ver Herbager, um garanhão francês que estava no box ao lado. Disse e escreveu mais de uma vez, Secretariat não tinha nada do Bold Ruler, ele tinha muitas características de Herbager. E se formos de modo isento ver as vitórias de Secretariat, vamos entender que ele tinha a consistência para as provas de fundo de Herbager, e a sua terceira vitória na tríplice-coroa nos 2.400 metros do Belmont Stakes, por 31 corpos, foram muito mais significativas que as duas primeiras, em pistas de 1.600 metros de volta fechada. John Aiscan afirmou por toda a sua vida, após examinar fisicamente Secretariat, que ele era filho de Herbager e não de Bold Ruler. E até hoje ninguém ousou desmenti-lo.

Voltando às drogas, a sua exagerada permissibilidade faz parte da cultura do país. Nós, brasileiros, não temos nada a ver com isso, mas temos que tomar conhecimento e não nos deixar envolver com corredores muito drogados e muitas vezes sem qualidade.

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