
Ouso dizer que a estreia do aprendiz Marcos Mazini Jr seja a mais aguardada pela comunidade turfística nos últimos anos. O nome deve lhe soar familiar, não?
Antes de falar do Juninho, precisamos voltar um pouquinho no tempo e falar do seu pai, Marcos Mazini, já falecido.
Piloto excepcional, com um dom único de montar cavalos de corrida, Mazini despontou no cenário nacional. Foi jóquei preferencial de grandes haras e disputado entre treinadores e demais proprietários para que montasse seus animais. Venceu estatística e grandes provas do calendário. Seu principal feito é, sem dúvidas, a vitória no GP Brasil 2009 montando o animal Jeune-Turc.
De origem humilde e carismático, logo caiu nas graças das crianças. Tinha uma legião de fãs mirins.
Entre os turfistas e demais profissionais, foi considerado por muitos como um dos melhores pilotos que já passou pelas sagradas pistas do Hipódromo da Gávea. Da mesma forma meteórica que ascendeu em sua vida profissional, assim foi a sua passagem por esse plano.
Essa semana, se perpetua em pista o legado deixado pelo piloto.

Marcos Mazini Jr, carioca, 16 anos, nasceu e foi criado dentro das vilas do Hipódromo da Gávea. O menino, que diz ser fã de Bruno Queiroz, Ricardinho e Leandro Henrique, lembra com saudades do pai e reverencia o padrasto, o também jóquei Igor R. Mendes.
“Lembro eu criança, meu pai indo montar e eu em cima das costas dele dizendo que um dia iria montar com ele. Infelizmente não está mais aqui para que isso aconteça, mas tem o meu padrasto, o Igor. Ele me dá muitos conselhos sobre a profissão e quer sempre o meu bem. Vamos nos enfrentar na raia para medir forças!
Quem me ajuda muito também é minha família, meu avô e meu tio Bruno. Me ensinam desde a lidar com os cavalos a como lidar com treinadores e proprietários. Isso é muito importante para mim, porque são pessoas do meio e todos tem muita experiência.”
O promissor menino, previsto inicialmente para estrear no conjunto de reuniões da próxima semana, pegará todos de surpresa na reunião de hoje, dia 05, ao substituir um colega de profissão que está de licença médica. A torcida hoje vai estar grande nas tribunas, sua mãe e irmãos estão todos ansiosos pela estreia do menino.
“Minha mãe já me ligou, mandou mensagem, está com o coração acelerado. Meu irmão mandou mensagem ontem a noite perguntando se era verdade que eu iria montar hoje.”
Cria do Jockey, apesar da paixão pelo futebol, o amor pelos cavalos sempre falou mais alto. Ainda mais jovem, se aventurou na pista de areia da Gávea em um Páreo de Pôneis. Fardado como um jóquei profissional, levantou a torcida em uma vitória espetacular. Ao relembrar a façanha, sabe que hoje a coisa ficou séria.
“Naquele páreo de pôneis, deu pra sentir o gostinho, foi legal demais. Mas agora a coisa ficou séria. Sei que preciso estar concentrado e dar o meu máximo a partir de agora. Meu sonho é ser um grande jóquei e ir montar no exterior, ter uma carreira consolidada.”
Foram dois meses como aluno na EPT (Escola de Profissionais do Turfe) até a liberação para montar como aprendiz. Apesar da ansiedade, o jovem piloto diz estar calmo e tranquilo, para que tudo corra bem e saia dentro do planejado. Diz ter montarias com chance e espera que a primeira vitória seja o quanto antes.
“Estou há dois meses na escolinha e venho aprendendo muito com o Alex Mota, de quem sou fã. Foi um grande jóquei. Bate um frio na barriga, mas estou tranquilo. Os páreos teste ajudam muito a gente, da pra ter uma noção exata de como é a corrida pra valer. Vou entrar na raia com calma e fazer tudo direitinho, conforme os treinadores pedirem. Espero ir pra foto da vitória logo.”

Ao olhar uma foto da vitória do seu pai no GP Brasil de 2009, ano em que ele nasceu, Marquinhos sabe que as comparações irão existir e diz estar preparado para isso, mas garante querer desenvolver o seu próprio estilo e criar sua própria história.
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“Meu pai foi um grande jóquei, todos falavam. Era frio ao montar, tinha calma e muito rigor em cima do cavalo. Vou puxar algumas características dele, mas quero ter o meu próprio estilo. Pra isso me espelho muito em outros pilotos também. Eu fico muito bem tranquilo em cima do cavalo, acho que o segredo é não complicar muito. Quero aprender muito e ter paciência e sabedoria para buscar todos os meus objetivos, inclusive de montar um GP Brasil e ir montar fora um dia.”
É tempo de Marcos Mazini, mas o Junior!

Texto e fotos por João Cotta
