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Relatório presidencial, por Milton Lodi

O criador e proprietário Eduardo da Rocha Azevedo (Haras Santa Camila), assumiu a Presidência do Jockey Club de São Paulo em março de 2011. Encontrou a confirmação do que já se era esperado, em função das inadequadas e/ou delirantes administrações de diretorias anteriores. O Clube mergulhado em dívidas e em compromissos já vencidos e não honrados, com imóveis dados em garantia de compromissos então sem perspectivas de pagamentos, imóveis obsoletos para as práticas turfísticas e sociais já havia mais de trinta anos, e só dando despesas de manutenções e impostos. Uma grande sede social no centro da cidade semi ociosa, o prado em evidente declínio físico e cada vez mais demonstrando envelhecimento, e mais do que tudo isso, o cada vez maior desinteresse dos sócios, vendo as corridas cada vez mais fracas, cada vez mais sócios do Clube parando de pagar as suas taxas mensais, ante as faltas de boas perspectivas, enfim, uma declinante trilha para o insucesso e para a viabilidade do Clube.

O então novo Presidente entendeu de um rigoroso e penoso caminho de necessário acerto das contas, dos débitos, dos compromissos, tendo que priorizar o aspecto econômico-financeiro, mesmo entendendo que na nova conduta não haveria espaço para, durante a gestão de 2011 a 2014, de dar ao setor turfístico aquilo que ele merece e tem direito.

Com a diminuição do número e da qualidade de animais, o movimento geral de apostas, uma das principais receitas do Clube, passou a decrescer. Menos páreos, menos cavalos, em função de premiações insuficientes. Em alguns momentos dentro dos três primeiros anos da nova administração, o regular pagamento dos prêmios aos proprietários foram interrompidos total e/ou parcialmente. O resultado foi que coube ao setor turfístico uma grande dose de sacrifício, os quadros dos proprietários e dos criadores foram diminuindo.

Em paralelo, o Clube começou a enfrentar graves problemas, como por exemplo, o da CCCCN (Comissão Coordenadora da Criação do Cavalo Nacional), entidade já extinta há muitos anos, e que mesmo com a sua morte a pesada taxação apenas trocou de mãos, continuando a vigorar a cobrança até hoje, mas a favor do Ministério da Agricultura. O enorme volume atrasado foi composto em parcelamento. Problemas com o IPTU foram enfrentados e acordados. Taxas, impostos, compromissos e dívidas, embora sendo equacionados, não prescinde de um grande volume de recurso financeiro, dinheiro, para formalizar acertos. Dentre os vários imóveis sem interesse e utilidade para o funcionamento regular do Clube, aquele que foi entendido como o mais indicado para venda foi o da sede social no centro da cidade.

A Chácara do Ferreira, por exemplo, é entendida pela Prefeitura como uma futura estação terminal de uma linha do metrô e como um parque público, a ex-colégio em Pinheiros junto à Vila Hípica foi gravada com garantias de pagamentos vários e não podia ser negociada, e assim por diante. A solução foi pleitear do quadro social, em assembleia, a devida autorização para a venda, que acabou se efetivando em 30 de setembro de 2013. Da venda por 90 milhões de reais foram deduzidos, despesas normais para a venda, acerto de diferenças atrasadas em prêmios e, fundamentalmente, por cerca de 45% (quarenta e cinco por cento) do valor total em débitos federais, estaduais e/ou municipais.

Com isso o Jockey Club de São Paulo limpou taxas, impostos e cobranças, e com quase três anos de trabalho, transformou um volume de compromissos atrasados da ordem aproximada de 550 milhões para aproximadamente 220 milhões. Sendo de se assinalar que, antes, os compromissos eram cobrados de imediato, e agora, todos os compromissos, da ordem de 40% do valor inicial de março de 2011, estão acordados e sendo pagos, e naturalmente os novos compromissos.

Na tal “Mensagem do Presidente”, Eduardo da Rocha Azevedo apresenta, de forma honesta transparente, todos os detalhes financeiros resultantes da venda da sede social e, também, dos recursos complementares com os quais o Clube conta para saldar os seus compromissos. Entre outros feitos, o Jockey Club de São Paulo conseguiu anular a injusta e ilegal cobrança de ISS (Imposto sobre Serviços) referente à cobrança de aproximadamente 72 milhões de reais sobre a venda de apostas.

O trabalho apresentado pelo Presidente é minucioso, detalhado e transparente, mostrando muito trabalho e competência. Encerra o primeiro capítulo de uma brilhantíssima gestão. Para a gestão de 2014 a 2017, naturalmente, serão priorizados o cumprimento das obrigações assumidas, os necessários cuidados que o turfe carece, inclusive, tendo como meta principal, difícil por enquanto, dobrar as atuais dotações, investimentos para aumentar a receita e investimentos para a recuperação física do Hipódromo. Tudo isso em ritmo de resgatar a confiabilidade da entidade, com um maior afluxo dos sócios e interesse e confiança dos criadores e proprietários no futuro do Jockey Club de São Paulo.

A “Mensagem do Presidente”, clara e competente, mostra que o quadro social do Jockey Club de São Paulo já tem pela frente, em março de 2014, o caminho para um merecido sucesso do Jockey Club de São Paulo.

Ainda há outras injustas cargas financeiras, como a cobrança na fonte a título de imposto de renda, de 15% (quinze por cento) do bruto da premiação, isso sobre uma atividade sabidamente deficitária, movida a amor, paixão, espírito de competição, em meta da necessária melhoria da mais nobre das raças equinas. Há muito ainda a ser feito, e o grupo liderado por Eduardo da Rocha Azevedo tem competência para enfrentar e resolver esses problemas.

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