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Conjecturas, por Milton Lodi

Já começamos um ano de início de transformações nos calendários clássicos, dos três mais importantes Clubes promotores de corridas em nosso país. Os dois Clubes da primeira faixa, de comum acordo com as normas internacionais, e em parceria, terão em 2014 que enfrentar detalhes delicados. Para 2014 já houve uma acomodação de datas com a ida do G.P.Brail para o primeiro semestre, para que possam os animais de 3 anos participarem da principal prova internacional do país. Enquadrando-se a todas as provas para animais de idades várias.
 
            São Paulo antecipou o seu importante G.P. São Paulo de maio para abril, abrindo um espaço de cerca de um mês e meio para o G.P. Brasil, que será corrido no dia 08 de junho, data fixada, compelida pela solicitação da FIFA – Federação Internacional de Futebol Associacion, promotora no Rio da Copa Mundial de Futebol. Desse importantíssimo evento mundial, advieram detalhes importantes nos calendários de grandes eventos no mundo inteiro, e o Rio será beneficiado por um acordo comercial muito proveitoso, pois além de vantagens financeiras, o Hipódromo da Gávea terá sua imagem, pelo menos doravante um mês, projetado pelos cerca de duzentos países do mundo. O campeonato do mundo e a necessária antecipação técnica do G.P. Brasil ficou muito bem resolvida para 2014.
 
Para 2015 há que haver a complementação da revolucionária alteração dos calendários clássicos de São Paulo e Rio. O primeiro detalhe é o referente às definitivas épocas do G.P. São Paulo e do G.P. Brasil, com pelo menos um mínimo intervalo de um mês e meio. Às épocas de 2014 que foram determinadas por contingências, parece-me que deveriam ficar em definitivo, isto é, o São Paulo em abril e o Brasil em junho. Mantendo o mês de maio livre, tendo como opção mais pretensiosa o Gran Premio 25 de Mayo, em San Isidro. E, levando-se em conta, que o mês de abril no Rio é muito mais quente que em São Paulo, que àquela época o rigor do calor já se foi enquanto que no Rio permanece, em vista prática, o G.P. São Paulo poderia ser fixado, por exemplo, no terceiro ou quarto domingo de abril, e o G.P. Brasil no terceiro ou quarto domingo de junho. É uma questão de lógica e de bom senso, dentro do alto espírito de compreensão e de praticidade dos dois principais Clubes promotores de corridas no Brasil.
 
            O outro ponto da maior importância é o acerto de uma tríplice-coroa nacional. São Paulo sempre teve a sua tríplice-coroa na época, internacionalmente correta, isto é, no primeiro semestre do ano hípico (julho/dezembro), tendo como média dos nascimentos no mês de setembro. Sendo assim, os meses de julho e agosto muito cedo e dezembro já um pouco tarde. E, ainda, com o Pellegrini tendo que ser levado em conta, já que no plano internacional é a prova sul-americana de maior prestígio, setembro – outubro – novembro se fixou como a melhor época.
 
            São Paulo já implantou há muitos anos essa tradição, e naqueles meses, por volta respectivamente dos dias 07, 15 e 15, a tríplice-coroa paulista é sucesso. O Rio, que não era e não é um significativo núcleo criacional, fugiu de um normal confronto e postergou a sua tríplice-coroa para o segundo semestre do ano hípico, isto é, de janeiro a junho. Mas chegou a hora, o momento de uma tríplice nacional em lugar de suas regionais. A nacional, alem de ser a mais correta, elevará o turfe brasileiro no conceito internacional, o que é necessário e fundamental.
 
            Rio e São Paulo têm que se acordar para uma tríplice-coroa nacional, nos meses de setembro, outubro e novembro. Se fosse apenas três provas seria mais difícil, mas como no Brasil temos também a tríplice-coroa das potrancas, na verdade, são seis provas. Essas seis provas são disputadas pelos melhores corredores de 3 anos de idade, e dentro do possível devem ser preservados de desgastes maiores, que os estritamente necessários. Assim, tendo em vista que na prática os melhores corredores voltam para os seus boxes a cada disputa, há que se diminuir os riscos e desgastes nos transportes.
 
Assim, em cada uma das tríplices-coroas , o Jockey Club de São Paulo promoveria a primeira e a terceira de uma e a segunda de outra, e o Jockey Club Brasileira da mesma forma. Como o simples exemplo, a idéia proposta, evita viagens seguidas desnecessárias. Só para ilustrar nos Centros de Treinamento de Petrópolis e Teresópolis, onde estão em média de qualidade os melhores corredores do Brasil já de algum tempo, dos Centros para a Gávea são aproximadamente 75km, e logo após o páreo há a volta de outros 75km. Se a corrida é em Cidade Jardim, cada 75km viram 500km. Há de se convir que em cada vez há uma perda do peso físico da ordem de pelo menos 10kg, e a considerar que seriam três provas. Situação similar ocorre com os bons paulistas, que saem de um clima mais ameno, e têm que correr com um calor fora do costume. Em síntese, Jockey Club de São Paulo ou Jockey Club Brasileiro, um com a primeira e a terceira dos produtos e a segunda das fêmeas, o outro com a segunda dos produtos e a primeira e a terceira das fêmeas.
 
O proprietário e o treinador de cada corredor clássico não querem e não gostam de ficar longe de seu cavalo, em mãos de outros, e por isso a cada corrida o corredor normalmente volta para casa. Na ideia proposta, nova viagem só dois meses depois. Eu sei que não seria fácil um acordo técnico, pois através dos anos algumas dessas seis provas suscitaram tradições. Isso é mais do que compreensível, mas chegou um momento que dificilmente seria melhor, para a definição de cunho internacional, pois agora, com o fraterno convívio dos dois Clubes, com os dois Presidentes imbuídos da necessidade de eventuais cessões de parte a parte.
 
            Com as novas datas das duas principais provas dos dois calendários clássicos, e com a tríplice-coroa nacional, o turfe brasileiro dará um passo gigantesco, permitido por uma mútua boa vontade.
 
            Vamos aguardar que a habitual parceria permaneça cada vez melhor, que aqueles experts a quem é dada a resolução do problema se entendam bem. Eu só peço que não me venham com a ideia de alternâncias.
 
Só para terminar, no Chile os três principais clubes de corridas são: no Club Hípico de Santiago (Santiago, 1.600 metros, grama, curvas pela direita), no Hipódromo Chile (Santiago, 1.900 metros, areia, curvas pela esquerda) e Valparaiso Sporting Club – Derby (Viña Del Mar, 2.400 metros, grama, curvas para a esquerda). Nada de alternâncias, cada prova tem o seu “palco” definido, nos calendários clássicos não pode haver trocas anuais.
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