Tabelas I e II – Novas em Definitivo, por Milton Lodi » Jockey Club Brasileiro - Turfe

Tabelas I e II – Novas em Definitivo, por Milton Lodi

          As importantíssimas resoluções tomadas em conjunto pelos principais clubes brasileiros promotores de corridas, ante a complexidade dos detalhes e as enormes alterações que sofrerão os calendários clássicos, foram parceladas para serem colocadas em prática em duas etapas. A primeira dar-se-á no ano calendário de 2014, e a outra no ano-calendário de 2015, estabilizando-se as mudanças provavelmente em definitivo a partir de 2016, quando então o turfe brasileiro deverá estar integrado à filosofia técnica do mundo turfístico moderno, modernizado.

        O primeiro setor já resolvido e em definitivo, a vigorar a partir de 1º de janeiro de 2014, é o referente às Tabelas de Pesos I e II, que são hoje diferentes entre os Jockey Clubs, e ainda com o ranço da criação antiga. Antigamente, nos primórdios, os potros criavam-se mais ao natural, os seus desenvolvimentos eram mais lentos que os da atualidade, e os fortalecimentos ósseos e musculares só se davam após os 4 anos de idade. Em função disso as tabelas de pesos tinham que determinar que os mais velhos dessem vantagens de pesos para os mais novos. Assim, os de 5 anos levavam mais peso que os de 4 anos, e os de 6 e mais anos também mais peso que os de 5 anos. Com o correr dos anos, com as novas técnicas de alimentação, manejo e cuida , com uma adequada orientação veterinária apoiada em agronomia, com estudos especializados em rações balanceadas, enfim, com um enfoque visando o amadurecimento mais precoce dos potros, tudo isso resultou que, em lugar dos cavalos iniciarem-se aos 4 anos, e então começarem a amadurecer e atingir as suas plenitudes aos 5 e aos 6 anos, a época de iniciação passou para os 2 anos de idade e o ápice de suas aptidões aos 3 e 4 anos, e dos 5 anos em diante o início de uma queda na qualidade das performances. Hoje em dia, com raras exceções, os cavalos de 6 anos já dão sintomas de envelhecimento. Mas as tabelas de pesos no Brasil não acompanharam a evolução, e eram mantidas no foco anterior, enquanto que no turfe civilizado europeu o turfe acompanhou a modernidade.

Por exemplo, na tabela I, para confronto de animais da mesma idade, os de 2 anos levam 56 kg, oss de 3 anos 57kg, e os de 4 e mais anos 58kg. Veja-se o detalhe importante, os de 5 e mais anos levam o mesmo peso dos de 4 anos, os 58 kg são para os de 4 e mais anos. É uma adequada forma de focar a realidade. No Brasil temos o despreparo de alguns treinadores, que não são poucos, e que forçam os potros muitas vezes antes até deles completarem seus 2 anos, e com isso muitas vezes os potros já se iniciam lesionados nos hipódromos, vítimas de iniciações antes do momento certo. Os potros devem começa a correr nem antes e nem depois do devido momento, os bons treinadores e os proprietários mais esclarecidos devem leva-lós a estrear no momento certo, com os joelhos já fechados, em função de suas características e de seus pedigrees. Um dos pontos fracos desse entendimento é o referente às pencas, os desafios em linhas retas, normalmente disputados entre 500 e 700 metros, quando os potros ainda estão em fase de crescimento e suas estruturas físicas não podem ou não devem suportar a severidade dos treinamentos antes do momento certo. Mas o problema das pencas é uma história diferente, e não é assunto para o ingresso do turfe brasileiro na técnica da modernidade.

        A tabela II trata dos pesos nos páreos de confronto entre as várias idades. Além da modernização, há dois detalhes importantes, quais sejam, a utilização de ½ kg e o fato do nosso ano-hípico, de 1º de julho a 30 de junho, ser diferente do ano-calendário, que vai de 1º de janeiro a 31 de dezembro, em função dos dois diferentes hemisféricos. A diferença está em que os períodos de nascimento devem ocorrer no semestre em que se dá a primavera.

Até 1.200 metros ( de julho em diante, na seqüência 2,3 e 4 e mais anos) = -, 52 ½ , 59  – – ,53,59 – –  ,53 1/2 , 59 –  -, 54,59- – 54 ½ ,59- – 54 ½ ,59 –, 55,59 – 55 ½,59 – -, 56,59 – – 56 ½ , 59 – 50 ½, 57, 59 – 51, 57 ½ ,59 – 52, 58,59-

De 1.300 a 1.600 metros – 52 ½,59 – – 53,59 – -53 ½ , 59 – -, 54,59 – , 54 ½ ,59 – -, 55,59 – – 55 ½ ,59 – -56, 59 – 56 ½ ,59 – 50,57,59 – 51,57 ½ , 59 – 52, 58,59

Acima de 1.600 até 2.000 metros – (só para 3 e 4 e mais anos) – 51 ½ 58 – 52,58 – 52 ½ ,58 -53,58 – 55,58 – 55 ½ ,58-56-58 – 56 ½ , 58-57,58

Acima de 2.000 até 2.400 metros – 51,58 – 51 ½ ,58 -52,58 – 52 ½ ,58 – 53 – 58 – 53 ½ ,58 – 54,58-54 ½, 58 – 55,58 – 55 ½ , 58 -56,58 – 56 ½ ,58 – 57,58

Acima de 2.400 metros-,58 – -,58 – -, 58 – 51,58 – 51 ½ , 58 – 52 ½ , 53 – 53,58 – 53 ½ ,58 – 54,58 – 54 ½ , 58 – 54 ½ , 58 – 55, 58 – 56, 58

Naturalmente, as éguas, no confronto com os machos,levarão uma descarga de 2 kg.

Com essas tabelas vigorando a partir de 01.01.14, teremos ainda em 2014 duas datas da programação clássica, além de outras decorrentes, quais sejam, o G.P.Brasil será corrido em 08 de junho e o G.P. São Paulo antecipado da terceira semana de maio para a terceira de abril, isso em função do campeonato mundial de futebol, que será realizado a partir de 12 de junho de 2014 no Brasil, e por solicitação da FIFA (Federação Internacional de Futebol Associaon), com jogos programados por todo o Brasil . Nada mais justo.

Para o ano de 2015, estão definidas as datas do G.P.Brasil e do G.P.São Paulo, respectivamente para o segundo domingo de abril e terceiro domingo de maio.

Para 2015 estão previstas alterações quanto às tríplices – coroas, e até hipóteses de uma tríplice-coroa nacional, uma para produtos e outra para as fêmeas, e quem sabe novas datas, que seriam definitivas para de 2016 em diante.

        Mas isso é assunto para próximos artigos.

As novas tabelas de pesos são mais equilibradas, mais adequadas, mais justas, mais modernas, melhores.    

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