Aos 18 anos de idade e com 276 vitórias em sua carreira de pouco mais de 2 anos, Bruno Queiroz parece um veterano, tamanha serenidade que encara esse novo momento em sua carreira.
Bruninho vai contar tudo para nós aqui no site do JCB:
A passagem de aprendiz para jóquei e a consequente perda da descarga, a disputa com Leandro Henrique pela estatística, a participação de seus familiares na sua carreira e sobre montar o GP Brasil pela 1ª vez e logo ao lado seu ídolo maior, seu pai, Antônio Queiroz.
A perda da descarga? A antecipação de passagem de 2ª para primeira foi prejudicial?
“Desde o princípio sempre soube o quão complicada era a passagem de aprendiz para jóquei e me preparei bem para ela. Trabalhando bastante, ajudando os treinadores na Gávea e na serra, visando não perder as oportunidades. É óbvio que descarregar três é melhor que não descarregar, porém, o tempo de EPT se cumpriu. Foram dois anos em que levarei ensinamentos para a vida toda. Quanto à antecipação da passagem de primeira para segunda categoria foi uma justa tentativa de montar uma potranca do meu contrato com o Haras Figueira do Lago. Não deu para vencer, ok, posso pecar pela ação, nunca pela omissão”.
E a disputa pela estatística? Existe rivalidade entre você e o Leandro? Um clima ruim?
“Considero-me um privilegiado de, aos 18 anos, estar disputando com jóqueis consagrados como Lavor, Borges, Leandro, Gil, Blandi, Marcelo Gonçalves e outros. Liderei a estatística por 11 meses, ainda faltam cinco semanas e não vou me entregar sem muita luta. Leandro está montando o fino, mas a disputa vai até 30 de junho, sem dúvida.”
“Olha, tá certo que cunhado não é parente, mas namoro a irmã do Leandro, a Erika Patricia, e nos damos muito bem. Ela sim fica num mato sem cachorro, torcendo para os dois. O pessoal gosta de uma resenha e de criar fatos, mas a verdade é que nos respeitamos bastante e a rivalidade fica dentro das pistas, de grama e areia, somente.”
O suporte da família te ajuda nessa hora em que você precisa reagir para tentar sua primeira estatística, certo?
Minha família é minha base, meu tudo. Eles me ajudam não só nas horas boas, mas também nas mais difíceis. Sem esse apoio talvez nem jóquei eu fosse. Toda vez que eu volto da raia, ganhando ou perdendo, eles estão ali para me confortar ou comemorar. Sempre do meu lado. Impossível não ser um vencedor quando você é fruto do amor e faz o que ama.
E montar no GP Brasil pela 1ª vez e ao lado de seu pai, Antônio Queiroz, como será?
“Rapaz, o tempo voa, né? Ano passado eu era aprendiz de 3ª e fui o maior ganhador da semana do Brasil, mesmo não participando de nenhuma das provas do calendário clássico. E, detalhe, destaque da semana junto com o Leandro, que também ganhou oito provas. Ou seja, já estávamos disputando desde a temporada anterior.
Montar o Brasil é um sonho, ainda mais ao lado do meu maior exemplo, ídolo e modelo, que é meu pai. Ele me ensinou e ensina sempre, tenho maior orgulho da sua carreira e de ser seu filho, por isso será uma experiência única e maravilhosa. Uma reta entre Avião Sureño e Devil Cat? Nem brinca. Seria fantástico, tenho certeza que disputaríamos palmo a palmo e escreveríamos um lindo e inédito capitulo na história do turfe. Quem sabe, né? Não custa nada sonhar…
Já tem montarias certas para a semana máxima?
“Tenho algumas. O Avião Sureño (Neverending Stud) no Brasil, como falamos acima; Lele Buchecha (Haras Figueira do Lago) no GP Roberto e Nelson Grimaldi Seabra (G1); Mapa Mundi (Haras Figueira do Lago) no GP Jockey Club Brasileiro (G1); Kinetic Power (Haras Springfield) no GP Francisco Villela de Paula Machado (G2); Sabbra (Mauricio Roriz dos Santos) no Clássico OSAF (G3); Moby Dick (Haras Figueira do Lago) no Clássico Imprensa (L.); Neviski (Marcia Guidorzi Buffolo), no Breno Caldas (L.); e Garrucho (Stud Globo), no Delegações Turfísticas (L.).
por Fernando Lopes – fotos: Sylvio Rondinelli & Arquivo Pessoal
