Notícias diversas, janeiro de 2018 (Milton Lodi)
A – O criador brasileiro Gonçalo Torrealba que encerrou as suas atividades turfísticas no Brasil e as transferiu para os Estados Unidos tem obtido grande sucesso. Hoje o proprietário da Three Chimneys Farm, uma das mais importantes dos EUA, já havia em 2015 obtido um Eclipse Award com o cavalo brasileiro de sua criação Leroidesanimaux, como o melhor em pista de grama. Agora em janeiro de 2018, o cavalo Gun Runner de sua propriedade com dois americanos, em função de um 2017 brilhante, inclusive com a Breeder´s Cup Classic, recebeu mais um Eclipse Award como o melhor corredor norte-americano de 2017. E não ficou por aí, como grande favorito correu no mês de janeiro no hipódromo de Gulfstream a prova mais bem dotada do mundo, a Pegasus com bolsa de 12 milhões de dólares, e venceu com grande autoridade.
B – A FIAH publicou os resultados de suas apreciações sobre os melhores corredores do mundo em 2017. O inglês Arrogate voltou a ser indicado como o melhor. Embora não tenha em 2017 apresentado o mesmo brilho que em 2016, Arrogate foi entendido como o melhor. Ele é de criação e propriedade da Juddmont Farm do Prince Khalid Abdullah, por muitos considerado internacionalmente como o mais técnico e melhor criador do mundo. Arrogate iniciou-se na reprodução em fevereiro de 2018. O 2º melhor ranqueado foi a extraordinária égua Winx. Considerada como o melhor corredor do mundo em pista de grama. Na 3ª colocação empatado com Cracksman veio Gun Runner, que veio a ganhar em janeiro de 2018 a Pegasus, com seus 12 milhões de dólares de bolsa. A fantástica potranca Enable foi a 5ª colocada tendo como suas mais notáveis atuações as autoritárias vitórias no Prix l´Arc de Triomphe e no King George VI & Queen Elizabeth Stakes. A prova mais importante, mais atraente do mundo em 2017 foi o Arco, uma grande festa turfística, de técnica, de qualidade e de atração. A segunda prova em importância foi considerada a King George VI & Queen Elizabeth Stakes. A 3ª foi a Dubai World Cup. A norte-americana Breeder´s Cup Classic foi a 4ª colocada.
C – Nos últimos dias do mês de janeiro de 2018 chegou ao turfe brasileiro a notícia de que ocorrera no Chile um surto de influenza de gripe equina. Isso faltando cerca de 7 semanas para a realização em 11 de maço do Latino em Montevideo, indicava uma provável ou possível ausência do turfe chileno. Não custa recordar que há muitos anos a gripe equina campeava anualmente pelos nossos campos de criação e também pelos hipódromos. O problema era de tal ordem que, por muitas vezes, as corridas foram suspensas por várias semanas, e em certa época foi até proibido o transito de animais por mais de 3 meses. A situação só resolveu-se de forma definitiva quando da eleição do JCB do Presidente benemérito José Carlos Fragoso Pires, que entregou o serviço de veterinária ao criador Ismael da Silva Neto. Ele determinou da obrigatoriedade da vacina anual de todos os animais alojados no hipódromo da Gávea e daqueles que lá convergiam para correr. A vacina era importada dos EUA de Fort Dodge, que veio mostrar-se de altíssima eficácia. Naquela época houve uma pequena resistência, pois alguns treinadores alegavam que vacinas tiravam por algum tempo o poder locomotor dos corredores. Mais a obrigatoriedade foi absoluta e o Diretor do serviço veterinário o Dr. Ismael, conseguiu sanar o problema. Houve até um caso curioso, Ismael ficava na sua sala na Veterinária pela parte da manhã, e um dia surgiu um proprietário que queria falar com ele. Ismael convidou-o para sentar-se e tomar um café, o que foi recusado. E de pé o proprietário disse que ele era um advogado, que conhecia o direito de propriedade e que estava naquele momento recusando a ordem de vacinação obrigatória, o cavalo era dele e ninguém poderia obrigá-lo a ser vacinado contra a vontade do seu dono. Ismael disse que a situação era simples, como proprietário o dono do cavalo tinha o direito de proibir a vacinação, e o serviço de Veterinária tinha o direito de determinar a vacinação obrigatória de todos os animais. Assim o cavalo dele não seria vacinado, mas iria ser levado para longe do convívio dos animais. Nesse momento, o proprietário baixou tom de voz e perguntou para onde seria levado o cavalo dele, Ismael disse que não sabia, talvez para o Jardim Zoológico. Foi quando o proprietário sentou-se e perguntou se ainda estava de pé o oferecimento do cafezinho. A última vez em que ocorreu a vacinação anual obrigatória no JCB foi no início do mês de dezembro de 2017.
