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Divagações a respeito da criação(Milton Lodi)

    Divagações a respeito da criação  (Milton Lodi)

 

                 A Natureza se apresenta sem se anunciar em alguns momentos prévios sem prévios avisos. O índice de fertilidade no 2º semestre, época sul-americana do amor eqüino e de suas conseqüências, eventualmente se altera, para mais ou para menos. Em épocas normais, no Brasil os melhores haras, os mais bem aparelhados e de melhore técnica, chegam a alcançar cerca de 90% de prenhes, o que na prática se traduz em nascimentos positivos, isto é, até completarem um mês de idade, entre 80 e 85%. Emprenhar é uma coisa diferente do produto vivo, há que ultrapassar absorções, abortos, acidentes, etc., riscos naturais. Se assim se comporta a Natureza em alguns anos, em outros o índice cai quase de 90 para 80%. Intensidade maior ou menor de chuvas, mais ou menos dias ensolarados, muito ou pouco frio (cavalos gostam de frio), não confundir com ventos e chuvas, situações climáticas que interferem nos ciclos das éguas, tudo em função das manifestações da Natureza. Assim, há temporadas em que a fertilidade das éguas se manifesta ótima, e em outras não. No decorrer desse 2º semestre de 2017, as poucas notícias que chegam dos Haras dão conta de uma temporada de alta fertilidade. Nos três primeiros meses da presente estação de monta, no Haras do Morro, Paraná, o reprodutor Out of Control já havia servido cerca de 60 éguas com perspectivas de chegar do final do semestre em torno de 70 éguas, o que, para um Haras de porte não grande, com um plantel de éguas da ordem de 20, é muito bom.

O Haras Santa Rita da Serra, também no Paraná, utiliza-se preferencialmente do garanhão Hat Trick, um filho de Sunday Silence que foi importado em definitivo em 2017. A previsão inicial desse garanhão, adquirido por um grupo de criadores, era de 80 éguas em 2017, mas os bons resultados obtidos na primeira metade do semestre indicam que ele vai acabar recebendo em torno de 100 éguas. O Brasil é muito grande, e com os Haras espalhados por várias regiões principalmente nos Estados do Rio Grande do Sul, do Paraná e de São Paulo, sugerem uma não unanimidade e situações, de um modo geral, as perspectivas são favoráveis. Um dos detalhes que vieram facilitar o aproveitamento dos cios das éguas é a norma estabelecida pela Associação Brasileira, acordada com o Ministério da Agricultura, na utilização de sêmen fresco em inseminação artificial. Antigamente isso era proibido, mas com a modernidade, os seus métodos modernos, aparelhos de ultrassom detectando o prenhes antes de 14 dias (antigamente eram necessários cerca de 30 dias e em exames de toque retal), exames obrigatórios de DNA de eqüinos, fiscalização não só In Loco como também através de documentos, enfim, hoje em dia a situação é bem mais diversa do que foi encontrada pela Associação Brasileira após o comando do saudoso criador Hernani Azevedo Silva. Hoje em dia, é quase impossível uma fraude relativa a troca de garanhões. Outro aspecto desse assunto é um maior aproveitamento de garanhões já velhos, com semens menos quantitativos e também qualitativos.

Hoje em dia, com as restrições injustamente impostas pelo nosso Governo, cavalos como Wild Event, Put-it-Back, Redattore e mais uns tantos, líderes em nosso país, já estão com mais de 20 anos, e suas produções naturalmente vão se diminuindo, e a nova orientação de aproveitamento do sêmen a fresco vem colaborar para que, pelo menos em pequena parte, o problema seja atenuado. Pode até parecer mentira, mas na verdade os criadores, além do natural difícil jogo de xadrez com a Natureza, tem que enfrentar a evidente má vontade e voracidade do Governo em relação à criação nacional de cavalos de corrida. E há ainda quem estranhe a verificada queda anual quanto ao número de nascimentos.

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