Troféu Mossoró – Regulamento (Milton Lodi)
No fim da gestão do criador Jael Bergamaschi de Barros, então Presidente da Associação Brasileira, que surgiu o Troféu Mossoró. A idéia inicial foi dar um nome importante, sem partidarismo, um nome que tivesse um significado especial. Em lugar de “Taça”, por exemplo, a denominação tinha que dar um significado ainda maior, e ficou entendido que “Troféu” era uma denominação superior, além de fugir às demais denominações de provas nobres, seria mais ainda, pois a idéia era ter como motivo base, a qualidade, a supremacia, um galardão máximo.
Quanto ao nome do Troféu, o escolhido foi Mossoró, cavalo pernambucano, de criação de um haras bem antigo e já fora de atividade há muito tempo, e fizesse lembrar um grande êxito de caráter nacional e que não provocasse divergências, e assim, o nome Mossoró, o primeiro ganhador do Grande Premio Brasil, em 1933, recebeu aplausos gerais. A vitória em si de Mossoró evoca a realização do primeiro “sweepstake”, criação do benemérito Antônio Joaquim Peixoto de Castro Júnior, o fundador do Haras Mondesir, e à época concessionário da Loteria Federal, que genialmente inventou um especial sorteio de bilhetes, realizado na manhã do GP Brasil, que atribuía a cada competidor um bilhete, e na pista o bilhete correspondente ao cavalo vencedor daria um premio nunca até então sonhado em sorteio, e a quantia oferecida era, para a época, vultuosíssima, 300 contos de réis. À época ainda não havia televisão, mas todos os rádios do país anunciaram a grande novidade. Os bilhetes foram postos à venda em todo o país, de forma que, na manhã do Grande Premio Brasil de 1933, o país inteiro acompanhou pelos rádios o sorteio da espetacular promoção, e naturalmente as corridas da tarde. Assim, o nome do brasileiro Mossoró passou a ser um novo herói nacional, pois havia vencido animais vindos da Alemanha, do Uruguai, da França e da Inglaterra. Mossoró, depois disso, foi levado a correr na Inglaterra, e lá venceu a sua primeira corrida, foi trazido de volta para Pernambuco, para o seu Haras Maranguape.
Merecidamente, o troféu referente aos melhores de cada ano recebeu o nome de Mossoró, o primeiro cavalo que emocionou o Brasil inteiro, virou símbolo de qualidade. Para a distribuição anual do Troféu Mossoró, foi criado naturalmente um regulamento, com várias categorias, e dentro de cada uma delas, aquele que houvesse demonstrado melhor qualidade, seria o vencedor. Os resultados em eventuais provas nobres seriam levados em conta, mas só em caso de dúvidas, pois o conceito predominante seria a qualidade. Os anos foram se passando, e a cada gestão, hoje em dia de 3 em 3 anos, as Diretorias foram se modificando, nem sempre as substituições foram positivas, pois, como era natural, de vez em quando um Diretor muito bom era substituído por um novato de padrão turfístico menor. Mas com o correr dos anos, com as naturais alterações para melhor ou para pior, a Associação Brasileira foi crescendo, e nos últimos 6 anos, os 3 iniciais com direito apenas a uma reeleição, chegou-se a um grupo muito bom. Mas no Regulamento, há um detalhe que merece maior atenção. É o que diz respeito à qualidade dos votantes, aqueles que anualmente votam. A Associação Brasileira iniciou-se só com criadores, depois absorveu a paulista Associação Nacional dos Proprietários de Cavalos, e posteriormente a Sociedade de Criadores de Cavalos de Corridas de São Paulo, que se extinguiram por motivos vários.
Assim, uma Associação só de criadores ficou inchada com proprietários. E como o Regulamento de votação é antigo, criadores e proprietários votam igualmente, e como naturalmente há mais proprietários que criadores, uma das idéias-base, que era saber só das opiniões dos criadores, a idéia foi desvirtuada, ainda mais que basta ser sócio da Associação para poder votar. Se a idéia era democratização do voto, ela não prevaleceu, pois o que houve foi a comunização dos votos. Parece-me mais lógico que esse detalhe regulamentar deveria ser alterado para um patamar mais qualitativo e técnico, isto é, formar uma Comissão de alto nível, formada por, por exemplo, 10 turfistas de escol, de reconhecidos conhecimentos, uma Comissão com metade dos componentes do Rio e a outra de São Paulo, e que dariam todos os votos conscientes em apreciação de qualidade, e em caso de empate, ou o Presidente da Associação desempataria ou decidiria por dois campeões empatados na referente categoria. Essa comissão daria mais importância aos resultados que os de uma votação comunizante. Eu até me atreveria a sugerir alguns nomes para a dita Comissão, como por exemplo José Luiz Polacow, Arthur Teixeira Mendes, Samir Abujamra, Arthur Francisco, Selim Nigri, Antônio Landim Meirelles Quintella, Francesco Carnevale, José Carlos Fragoso Pires Junior, Vicente Britto, Celson Afonso Neto, Anderson Stabile, dentre outros.
O Troféu Mossoró é um sucesso.
