Turfe Brasileiro, de 1990 a 2017 (Milton Lodi)
Desde 1930, o turfe brasileiro foi galgando sucessos, com até momentos internacionais de grandes repercussões, até os primeiros anos de 1990, foi quando o nosso país teve as suas lideranças tomadas por uma onda política – administrativa vermelha, que enganou a maioria da população do país, e conseguiu a maioria dos votos democráticos para tomar conta dos destinos do Brasil. E o previsto desastre se concretizou, durante treze anos os novos ratos magros engordaram rapidamente, desorientaram os caminhos em direção a um futuro que já se mostrava importante no plano mundial, e atolaram o Brasil. Vieram às nefastas conseqüências de propagandas enganosas, quem tinha dinheiro desacelerou ou interrompeu os seus investimentos, e em conseqüência natural, os pobres ficaram mais pobres, o desemprego cresceu enormemente, e para a classe média passaram a faltar recursos. Foram treze anos de desgraças coletivas, e todo o Brasil perdeu exceção feita aos novos ratos gordos. Após os vermelhos treze anos, o nosso país retomou o caminho certo, mas uma grande desgraça nacional ficou para ser superada. O reflexo no turfe foi inevitável. Com a queda geral nos preços dos animais, a atividade criacional passou a ser uma atividade muito deficitária a tal ponto que muitos haras fecharam as suas porteiras, os grandes diminuíram os seus planteis. Como conseqüência, a produção nacional de potros vem caindo de ano para ano. Mas os haras melhores passaram a ter os seus planteis mais selecionados, pois naturalmente os animais menos bons eram vendidos ou até dados, e uma rigorosa seleção se impôs. Assim, o índice de qualidade de nossos produtos, embora em menor quantidade, melhorou bastante no que diz respeito à qualidade.
Até internacionalmente isso se faz sentir. A Argentina, por problemas internos, está em declínio já há alguns anos, o Peru continua como o 5º dos cinco melhores, o Chile tem feito ultimamente fortes investimentos na criação através de “shuttles” de promissores garanhões, e o Uruguai entendeu de desatrelar-se do turfe argentino e passou a aproveitar-se das necessárias vendas brasileiras, estando em fase de grande melhoria técnica dos seus planteis. A esperada recuperação brasileira virá devagar, pois os prejuízos dos vermelhos treze anos foram enormes, tanto no plano financeiro como no humano. Por outro lado, os Governos Federal, Estadual e Municipal no Brasil já que não ajudam o turfe, poderiam pelo menos não prejudicá-lo, cobrando impostos e taxas muitas vezes impossíveis de serem saldadas. Já para não se falar nos Jockeys Clubes do Paraná, do Rio Grande do Sul e o de São Paulo, e aquele que hoje e já de algum tempo detém a liderança brasileira no setor, o Jockey Club Brasileiro, as suas dotações se comparadas com aquelas de tempos anteriores, representam metade, isto é, para o JCB voltar ao padrão anterior no tocante às dotações, teria que simplesmente dobrar os prêmios. Essa é a realidade.
De em quando surge um sopro de esperançosa melhoria, como por exemplo a tão sonhada liderança do jogo no Brasil, que certamente traria um alento aos Jockeys Clubes, mas na prática nada de concreto se realiza. Só para que se tenha uma pequena ideia da realidade, no Ministério da Agricultura, entidade governamental mais próxima do turfe brasileiro, um trabalho sobre uma necessária modernização do Código Nacional de Corridas lá está engavetada há mais de um ano. O Ministério não toma conhecimento, e trava detalhes fundamentais da dinâmica do turfe. Isso só para se falar no setor das corridas, pois no tocante à criação, a exigência governamental da cobrança de 39,5% sobre o real valor de machos e/ou fêmeas necessárias a permanente necessária melhoria da qualidade de nosso planteis, impede um detalhe fundamental para a nossa criação. Esse é o amargo quadro em que vive o turfe brasileiro. Não sei quanto tempo teremos que esperar para que seja dado ao turfe brasileiro o cuidado e a proteção merecidos pelos órgãos competentes.
