Turfe Brasileiro, de 1960 a 1990 (Milton Lodi) » Jockey Club Brasileiro - Turfe

Turfe Brasileiro, de 1960 a 1990 (Milton Lodi)

Turfe Brasileiro, de 1960 a 1990  (Milton Lodi)

               O sucesso internacional de maio de 1960 entusiasmou o país por inteiro, inclusive os proprietários cariocas que se uniram em torno de uma Associação regional, que desde já alguns anos só existem no papel, e implantaram no Estado do Rio cerca de 45 haras, nas zonas de Petrópolis, Teresópolis e Friburgo. Esses haras tiveram vida enquanto os seus proprietários, entusiasmados, lutavam com a falta de espaços suficientes, e as terras inadequadas quanto à qualidade dos solos e também com o fraquíssimo suporte veterinário. Enquanto São Paulo reunia o que havia de melhor através de conferencias, aulas práticas e congressos até internacionais de veterinária, quando se reuniam os melhores do ramo em nosso país, os haras fluminenses consideravam suficientes os serviços e conhecimento de apenas dois profissionais, um brasileiro e um argentino, na verdade de conhecimentos muito limitados.

A rigor, de 1960 a 1970 floresceram os haras fluminenses, mas verdadeiro sucesso foram os domínios do Haras da Boa Esperança de 1970 a 1980, do então iniciante Haras Santa Maria de Araras de 1980 a 1990, e ainda o isolado grande sucesso do cavalo Daião, um filho de Sabinus em égua de procedência Mondesir, nascido e criado no Araras mas de propriedade da Coudelaria Amber.

Em 1990, desiludidos e convencidos da impropriedade ambiental, houve uma debandada geral. A maioria dos haras encerrou as suas atividades, e alguns, os mais e promissores, transferiram-se para o Paraná e/ou o Rio Grande do Sul. Os Haras Santa Rita da Serra e o São José da Serra foram para o Paraná, o Araras foi inicialmente para o Paraná e de lá se fixou em Bagé, RS, deixando no Paraná um importante setor. O Doce Vale foi direto para Bagé. Direto de São Paulo para Bagé foram o Castelo, Mondesir, o Old Friends. O Santa Ana iniciou-se no antigo Santa Ana, do saudoso Indemburgo de Lima e Silva, e foi para Bagé. Do Estado do Rio para Bagé também foi o Nacional. O município de Bagé, RS, ficou fortíssimo, já então contando com o Haras Santa Amélia, o Bagé do Sul, o Fronteira e mais alguns, e ainda sofreu o fortíssimo reforço da implantação do Stud TNT. O município de Bagé, RS, é hoje, e já de algum tempo, o responsável pelo nascimento anual de 1/3 da produção nacional.

O Paraná também se fortaleceu pelo Santarém, LLC e o São Luiz. Esse foi, a grosso modo e à base de recordações e lembranças, naturalmente sujeito a erros e omissões, o panorama após 1980. Mas dentro daquela época, dois grandes haras paulistas despontaram com grandes sucessos. Primeiro veio o Haras Rosa do Sul e logo depois o Malurica, A criação Rosa do Sul deu duas grandes e fortes tacadas, com a compra do norte-americano Tumble Lark, um corredor apenas regular que transformou-se em um garanhão de enorme sucesso, e grande quantidade de boas éguas argentinas, umas 40 que foram compradas de uma só vez quando Matias Machline comprou de porteiras fechadas um bom haras argentino, que hoje segue produzindo muito bem como Haras La Providencia, do brasileiro José Luiz Depieri. O Haras Rosa do Sul foi de um sucesso invejável. O Malurica veio logo a seguir. A sua criação era completamente diferente, as suas éguas mães eram de padrão apenas regular, e os seus garanhões não primavam por alta qualidade, exceção naturalmente de Major’s Dilemma e mais um ou outro, as pastagens nada tinham de especial, mas os seus produtos eram excelentes, de físicos e de ótimos resultados. Infelizmente, tudo na vida é passageiro, e esses dois ótimos haras não existem mais, assim como o ótimo efêmero Estrela Energia no Paraná, o TNT em Bagé, RS, entre muitos e muitos campos de criação de nosso país. A enorme evolução do turfe brasileiro de 1900 a 1990 tem que ser creditada principalmente ao grande esforço competitivo dos criadores e da conscientização nacional de que o uso de drogas que aumentem artificialmente o poder locomotivo dos cavalos não poderia e não pode ser admitido.

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