Turfe Brasileiro, apreciação superficial do período 1900 a 1960 (Milton Lodi)
Pode-se considerar que de 1900 a 1930 houve uma evolução mais entusiástica que técnica, os meios de comunicação eram péssimos e incipientes, tudo era à base de tentativas isoladas de caráter regional, os rádios eram de pequeno alcance, não havia televisão, as estradas eram péssimas e de terra, no setor ferroviário havia até mais de um tipo de bitolas, isto é, de largura entre os trilhos. Havia ferrovias de bitola larga e as de bitola estreita. O destaque foi, no setor turfístico, a inauguração dos hipódromos do Cristal e do Tarumã, e ainda e principalmente dos da Gávea e Cidade Jardim. Comparado com os anteriores, Moinhos de Vento, Guabirotuba, Mooca e dos pequenos hipódromos do Rio de Janeiro que se fundiram e se transformaram no Jockey Club Brasileiro com seu hipódromo da Gávea. E logo em 1933 o grande sucesso do 1º GP Brasil, com a espetacular promoção do Sweepstake tornou o turfe conhecido em todos os cantos do país. Com o entusiasmo, vieram criadores, proprietários, principalmente os paulistas que provocaram uma enorme competição, com não só a implantação de centros criacionais como a importação de corredores de padrão superiores. Fora de São Paulo, de portes significativos havia o Haras do Arado no Rio Grande do Sul, e os Haras Valente e Paraná no Paraná, além naturalmente do Pernambucano Haras Maranguape. A grosso modo era isso. Ao par da fantástica evolução dos Haras, surgiram nomes de profissionais de altíssimo gabarito. Do Paraná surgiram, Luiz Rigoni, Antonio Bolino e Pierre Vaz, só para citar três. Do Rio Grande do Sul muitos jóqueis muito bons vieram para o Rio e para São Paulo, e dentre eles Antonio Ricardo pai de Ricardinho. Nesse período de 1930 a 1960, ótimos jóqueis foram contratados do Chile, advindos de uma escola de jóqueis que chegam até a Europa. Na Argentina, por exemplo, até então a líder sul-americana, só havia freios, e quando o ótimo chileno Juan Zuniga foi pra lá, depois de brilhar nas pistas brasileiras, levou com ele uma aprimorada técnica de montar. Com isso, as coisas foram mudando, e hoje e já de algum tempo só há praticamente jóqueis de bridão na Argentina. Vieram para o Brasil verdadeiros professores na arte de pilotar cavalos de corrida, como principalmente Juan Marchant, Oswald Ulloa, Luis Diaz, Francisco Irigoyen, Luis Gonzales, Emidgio Castilho e vários outros de importância menos brilhantes. Foi uma verdadeira revolução no setor, e a escola de jóqueis do JCB, que é a principal no setor em nosso país, só produz profissionais de bridão. Para não se ir longe, basta citar Jorge Ricardo, Juvenal Machado da Silva, Carlos Lavor, Marcelo Almeida, e muitos outros, e mais recentemente Wesley Mateus da Silva Cardoso (W.S Cardoso), Leandro Henrique (L.Henrique) e a também excelente Vitória (Borboletinha) Mota. Não há de que reclamar quanto a jóqueis.
No tocante a treinadores, não houve um similar progresso, pois os treinadores que evoluíram de 1930 para cá eram filhos de antigos treinadores, e naturalmente aprenderam a profissão copiando os pais. Por um lado isso foi muito bom, mas não quanto a uma grande evolução técnica. O JCB, durante um curtíssimo período, implantou uma Escola de Treinadores, e logo na primeira turma formou-se o treinador – emérito Alcides Morales. Mas o que de mais importante aconteceu no turfe brasileiro, de 1950 a 1960, foi o sucesso dos 8 cavalos paulistas, em maio de 1960, na Argentina. O impacto foi enorme, tanto no Brasil como no exterior. Mas aí já estaríamos entrando no período de 1960-1990.
