Ismael da Silva Neto (Milton Lodi) | Jockey Club Brasileiro

Ismael da Silva Neto (Milton Lodi)

Ismael da Silva Neto  (Milton Lodi)

 

                 Ismael da Silva Neto era filho de um pastor presbiteriano. Teve uma educação rigorosa, que com os pessoais méritos levou-o a uma vida próspera. Com esforço e dedicação diários, construiu sua estabilidade financeira. Quando já formado em Otorrinolaringologia, sempre trabalhando em hospitais e já com boa clientela que atendia em seu próprio consultório, resolveu iniciar-se no turfe, comprando dois ou três animais que entregou, por sugestão de um amigo, a um treinador modesto mas trabalhador. Um dia por semana, pela manhã, ia à cocheira, que também era frequentada por outro proprietário, esse com muitos animais. Comprou um título do JCB, e na véspera do dia em que os candidatos a sócios iam ter as suas propostas submetidas a votos, foi informado de que a sua proposta havia sido retirada pelo Diretor encarregado do assunto. Ele foi ao clube, e procurou o tal Diretor, para saber o porquê da retirada. A resposta foi que ele seria um testa de ferro de proprietário ligado ao jogo do bicho. Ele naturalmente desmentiu veementemente a mentira, mas o Diretor disse que tinha certeza por informações, e que a proposta não seria apresentada no dia seguinte. Indignado com a mentira e a soberba do tal Diretor, Ismael disse que era surpreendente que o tal Diretor tivesse tanta autoridade, mesmo sendo por todos conhecido como tendo um comportamento estranho. Foi uma risada geral, mas Ismael voltou para o seu consultório. No dia seguinte, recebeu quando trabalhava um inesperado telefonema do então Presidente do JCB, que, com muito bom humor, o cumprimentava pela sua admissão no quadro social. Ismael refutou, a sua proposta havia sido retirada, mas o Presidente, sempre achando graça, disse que ele havia mandado incluir a proposta junto às dos aprovados. Ismael passou a frequentar as corridas aos domingos e às segundas-feiras, os sábados ele passava no Município de Friburgo, onde tinha uma pequena propriedade, que era um misto de haras e casa de lazer.

E daí em diante, mantinha sempre três ou quatro éguas, que iam para São Paulo ou outros centros para serem anualmente cobertas, pois no Estado do Rio de Janeiro não havia garanhões à altura. A sua notória competência na área da medicina fez com que ele fosse convidado para exercer o comando do Hospital, do Serviço Veterinário e do Serviço Anti Dopagem, quando da candidatura do benemérito José Carlos Fragoso Pires, que brilhantemente administrou o JCB por 8 anos, de 1992 a 2000. E desde então, Ismael participou de chapas postulantes ao comando administrativo do JCB, e mesmo quando a sua chapa era perdedora, a chapa vencedora o convencia a administrar o setor veterinário. Homem de muito conhecimento e firmes decisões, de vez em quando encontrava situações delicadas.

Quando em 1995 o JCB promoveu um grande páreo com dotação internacional, vieram correr na Gávea animais de outros países, atraídos pela bolsa de 2.244.000,00 de dólares ou reais, estavam ao par, correspondendo ao proprietário do cavalo vencedor 1 milhão. No sábado, véspera do tal páreo, Ismael foi ao grupo de cocheiras onde estavam alojados os animais que tinham vindo de fora, para verificar se todos os itens regulamentares estavam sendo cumpridos, e conversando com o treinador norte-americano que havia trazido um forte competidor, disse que, mesmo sendo proibidas as ferraduras agarradeiras, o cavalo dele ia correr com agarradeiras. O Ismael simplesmente sugeriu que o tal cavalo norte-americano fosse retirado logo, pois com agarradeiras ele não ia correr. No dia seguinte, antes das quatro provas principais, internacionais, o Ismael estava no prado, no serviço de veterinária, examinando todos os concorrentes. O tal cavalo norte-americano, como todos os outros, estava com ferraduras lisas, por isso correu, e acabou chegando em brilhante 2º lugar, perdendo para um argentino na fotografia, por uma linha. Foi Ismael que implantou a vacinação obrigatória contra a gripe equina. Logo no primeiro ano da obrigatoriedade, um proprietário foi à sala do Ismael no Hospital, onde ele ficava das 7:30 às 9:30 da manhã, e disse que era advogado, conhecia os seus direitos, e que ele não permitiria que o cavalo dele fosse vacinado. Ismael então respondeu que não havia problemas, ele de imediato mandava retirar o tal cavalo das Vilas Hípicas do clube, pois ele, como responsável pela sanidade geral, não iria permitir que os animais alojados no clube corressem o risco de ficar doente como consequência da proibição. Se não fosse encontrado alojamento de imediato, o cavalo seria enviado para o Jardim Zoológico. Assim, as determinações do proprietário e do responsável pelo Clube ficariam cumpridas. Em menos de um minuto, o proprietário concordou com o Ismael e foi embora. Outro momento na administração de Ismael da Silva Neto foi quando de seu empenho para que os materiais de cavalos vencedores fossem enviados para exames em laboratório na França especializado em exames anti-dopagem. O tempo mostrou, que mais uma vez, o Professor Ismael da Silva Neto tinha razão. Assim, servindo a várias Diretorias, Ismael deixou uma série de importantes realizações. Recentemente o JCB realizou uma Prova Especial com o nome dele.

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